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terça-feira, 6 de maio de 2014

Utopia?




Actualmente, para sustentar o nosso estilo de vida, já precisamos de 1,5 planetas.  

É verdade que o planeta tem a sua capacidade de auto-regeneração, mas nós estamos a consumir mais e mais rapidamente do que a Terra consegue repor. O que consumimos num ano a Terra leva 18 meses a recuperar.  

Se considerarmos, hipoteticamente, que em Janeiro a Terra tinha 100% da sua capacidade de recursos disponível, com o actual ritmo de consumo, quando chegarmos a  Agosto já esgotámos os 100%. De Agosto a Dezembro estaremos a consumir além daquilo que a Terra nos pode dar. Se continuarmos a este ritmo, segundo projecções da “Global Footprint Network”, em 2050 iremos precisar de entre 3 a 5 planetas. 

Só um cego não veria que se impõe uma mudança radical dos nossos hábitos e estilo de vida. No final das contas temos apenas um planeta para nos sustentar, por isso, quando me dizem que eu sou utópica quando falo de uma mudança de paradigma; que sou utópica quando falo da necessidade de voltarmos a viver em pequenas comunidades auto-sustentáveis; que sou utópica quando digo que nos deveríamos libertar do jugo do dinheiro, apetece-me responder que utopia é acreditar que podemos continuar a aumentar os níveis de consumo e destruição do planeta, porque entretanto vão surgir mais 2 ou 3 planetas para alimentar o nosso consumo desenfreado.

Apetece-me responder que utopia é acreditar que nada precisa mudar e que não haverá consequências negativas das atrocidades que estamos a cometer contra o planeta e o meio-ambiente.

Uma mudança radical não é uma utopia, é uma necessidade! A menos que queiramos deixar para os nossos filhos um planeta assim:



segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Christmas = Shopping?...

foto residente no blog toobusylivinglife.blogspot.com

Estamos em Novembro e a agitação está aí: é quase Natal!
Os Centros Comerciais usam os seus tradicionais enfeites natalícios;
As ruas engalanadas de luz e cor, projectam estrelas, anjos e azevinhos;
Os fins-de-semana levam rios de gente a desaguar nas lojas vestidas de Natal;
O mundo inteiro parece convergir num único sentido, carregando sacos, pacotes e laçarotes.

Todos os anos hesito antes de mergulhar na multidão acotovelada na cansativa busca da prenda ideal, mas todos os anos lá estou eu, como que levada por uma força misteriosa, que me puxa para cumprir um desígnio superior a mim. Pois este ano resisto! Finco os pés no chão e não me permito ser levada na enxurrada.

Que me perdoem os que não vão receber uma prenda minha este Natal, mas decidi não impor a mim própria a “tortura” das compras natalícias.

Gosto muito de dar mas será preciso todo este turbilhão para demonstrar a alguém que o apreciamos, que o lembramos, que conta com o nosso amor? Perdoem o cliché radiofónico mas… “Valeria a pena pensar nisto!”

terça-feira, 2 de outubro de 2007

A Importância do Vazio

“Se moldares uma chávena, terás de fazer uma concavidade: É o vazio no seu interior que a torna útil.”
Tao Te Ching

“Introduzida pelo próprio Einstein em 1917 e mais tarde posta de lado (chamou-lhe o seu “maior erro”), a energia negra ou a energia do nada ou do espaço vazio está agora a reemergir como a força motriz de todo o universo. Acredita-se hoje que toda esta energia negra cria um campo de antigravidade que afasta as galáxias umas das outras.”

Michio Kaku in “Mundos Paralelos”




Ao contrário do que nos diz a ancestral sabedoria oriental e as recentes descobertas da física sobre a organização do universo, nós, ocidentais, temos a tendência para viver atulhados de coisas. Quanto mais melhor. Roupa, sapatos, acessórios, telemóveis, mobília, biblôs, adereços, comida, electrodomésticos, jornais, revistas, livros, CD’s, pensamentos, compromissos, eventos, distracções, ambições e até pessoas... tudo e mais um par de botas!
Coleccionamos todas estas coisas nas nossas vidas como se o nosso sucesso, a nossa felicidade ou o nosso valor intrínseco se medisse pela quantidade de coisas que possuímos. Vivemos uma fome crónica de Ter e nunca estamos saciados.
Como poderemos nós usufruir e desfrutar das coisas mais significativas da vida se não lhes oferecemos espaços vazios que as realcem, que permitam o seu movimento, o seu fluir, na nossa casa, nos nossos armários, nas nossas mentes e nos nossos corações?
O paradoxo de tudo isto é que nos enchemos de coisas para preencher um vazio, uma espécie de buraco negro que trazemos no peito. Falta-nos algo mas não sabemos bem o quê. Por isso, empanturramo-nos com um pouco de tudo o que o mundo moderno nos pode dar. A má notícia é que o buraco negro continua lá apesar de todo o entulho com que nos inundamos. Com este nosso comportamento conseguimos apenas esgotar a nossa energia, ficar cada vez menos leves e cada vez mais escravos do Ter. Será que algum dia teremos a coragem de inverter o rumo das coisas para o lado do Ser?