segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Novo sistema de ensino precisa-se!

foto residente no site communitynorthbc.org


Numa entrevista à revista Pais e Filhos em 2005, Rubem Alves, conceituado pedagogo brasileiro manifestava-se dizendo que "a escola destrói as crianças". Segundo diz, "a minha impressão é a seguinte: houve um momento em que se tentou padronizar a escola. A ideia da linha de montagem. Pegar nos alunos e fazer com que todos aprendessem as mesmas coisas, ao mesmo ritmo, com o mesmo objectivo. Então criaram-se aqueles programas abstractos, padronizados. Abastractos porquê? Porque não respondem aos desafios do momento. Nós aprendemos o desafio. Aprendemos aquilo que naquele momento nos é importante. E isso não acontece com os programas. Eles são organizações abstractas de conteúdos, que não estão relacionados com os desafios das crianças."


Para Rubem Alves "é preciso que os professores se sintam fascinados por aquilo que estão a fazer, que eles brinquem com as crianças (...) A função do professor não é ensinar o que ele sabe, é ensinar as crianças a procurar aquilo que elas não sabem (...) A grande coisa da educação é ensinar as crianças e os adolescentes a pensar. A maioria dos problemas da sociedade se resolveria se os indivíduos tivessem aprendido a pensar."


Claro que Rubem Alves tem toda a razão e as suas palavras não carecem de nenhuma reflexão profunda para apurarmos a sua validade. Por isso, e como este blog se afirma como um blog optimista, lembrei-me de falar aqui de um dos sistemas de ensino mais humanizados e menos "linha de montagem" como chama Rubem Alves ao ensino público tradicional. Falo das escolas Waldorf.


As escolas Waldorf já existem um pouco por todo o mundo. Em Portugal apenas tenho conhecimento de uma no Algarve e de um Infantário em Alfragide.


São escolas privadas e um pouco dispendiosas mas o seu sistema de ensino é inovador. É um sistema criado originalmente pelo filósofo Rudolf Steiner em 1919. A aprendizagem é interdisciplinar, integrando elementos práticos, artísticos e conceptuais. A abordagem Waldorf privilegia o papel da imaginação e da criatividade na aprendizagem, tudo isto aliado ao pensamento analítico.


Pretende-se com esta abordagem, facultar às crianças e jovens uma base a partir da qual possam crescer e torna-se indivíduos livres, bem integrados e possuidores de uma moral forte.


A estrutura do modelo pedagógico resume-se mais ou menos assim:


- Infantário - a aprendizagem é essencialmente experiencial, imitativa e baseada nos sentidos, preferencialmente através de actividades práticas.


- Escola primária - aprendizagem focada na expressão artística e na imaginação desenvolvendo a vida emocional da criança através de um conjunto de artes visuais e de representação.


- Ensino Secundário  - a aprendizagem é focada no desenvolvimento da compreensão intelectual e ideais éticos tais como a responsabilidade social.


Para já exemplos como este ou o da escola Montessori são de louvar e encorajar.


Por cá, graças ao meu amigo "Gnomo", tive também conhecimento da "Escola da Ponte" em Vila das Aves, perto de Famalicão. Vejam aqui o seu projecto educativo.


Afinal há por aí alguns oásis onde se vivem excepções a um sistema de ensino massificado e descaracterizado. Vale a pena espreitá-los e manter a esperança de que num futuro mais ou menos próximo estas excepções venham a ser a regra.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Aprender a Morrer


Na nossa sociedade, o tema da morte é ainda um tabu. Somos educados e preparados para a vida mas nunca para a morte. O que é estranho porque a morte é uma inevitabilidade e faz parte da vida. Todos sem excepção iremos morrer um dia. Não há como evitá-lo. Daí que talvez fosse bom haver maior frontalidade no tratamento deste tema. Evitar falar da morte como se ela não existisse não nos torna mais felizes, apenas mais alheados de uma realidade incontornável.

Vivemos e somos educados como se a vida, como a conhecemos, fosse para sempre. Tudo isto é um contracenso porque tudo na natureza à nossa volta se move em ciclos de morte e renascimento e nós fazemos parte do todo que nos envolve.

Só esta concepção errónea da realidade é que justifica que por exemplo não saibamos lidar com as pequenas mortes de todos os dias, sejam elas materiais ou emocionais. Temos, ao contrário de alguns povos antigos e sábios, uma imensa dificuldade de viver em desapego. Vivemos na ilusão dos sentidos e agarrados a coisas que só possuímos por empréstimo enquanto por cá andamos.

Claro que, para quem acredita que a morte é o fim de tudo, a simples ideia de morrer deve ser assustadora. Falamos não só da morte do corpo físico mas também da morte do ego e todos sabemos que o ego não quer morrer porque ele existe para nos permitir accionar os mecanismos de sobrevivência.

Já para aqueles que, como eu e tantos outros, acreditam na reencarnação, a morte não é uma ameaça mas uma oportunidade, não é um fim mas um recomeço. Morrer é mergulhar em outras dimensões da realidade.

Seja como for, com ou sem reencarnação, a morte existe e é para todos. Lembram-se do anúncio do chocolate “Mars” em que um índio se preparava para a morte e dizia “Hoje é um bom dia para morrer”? Para este índio a morte não era nem tabu, nem mistério apenas um momento pelo qual todos iremos um dia passar. Com a diferença de que ele estava preparado.

sábado, 15 de agosto de 2009

A Sociedade do Futuro


Como será a nossa sociedade num futuro mais ou menos próximo?
Antes de mais perspectivam-se mudanças ao nível das lideranças. Isto porque a geração que actualmente ocupa os cargos chave, a dos Baby-Boomers (nascidos entre 1946 e 1964) está agora a iniciar a idade da reforma e começa a ser substituída pela Geração X (nascidos entre 1965 e 1976).

Esta nova geração tem um estilo muito próprio. Apesar de adultos gostam de se vestir como adolescentes, são mais descontraídos e menos sisudos que a geração que os precedeu, vocacionados para as novas tecnologias e ao contrário dos Baby-Boomers “trabalham para viver” não “vivem para trabalhar”. Quer isto dizer que valorizam bastante mais o factor tempo nas suas vidas.

Esta geração, constituída pelos trintões e quarentões do momento, tem fortes preocupações ambientais e energéticas, sente uma maior responsabilização pela sua saúde e bem estar, é exigente na qualidade de serviços e produtos, tem gostos minimalistas, procura fazer pequenos cursos ou workshops, é fã de eventos culturais, gosta de viajar, tem algum tipo de interesse ligado à espiritualidade, e não discrimina orientações sexuais.

Quanto ao seu estilo de liderança propriamente dito, há quem o classifique da seguinte forma:

Ecléctico: preferem construir pontes para agregar pessoas competentes, em vez de dividi-las previamente em classes ou ideologias.

Conciliador: procuram conhecer as diversas opiniões e encontrar um ponto de equilíbrio para atingir o consenso, mesmo em soluções que pareciam inicialmente contraditórias.

Pragmático: preferem tomar decisões a partir da análise de dados, examinando os temas de todos os ângulos e perspectivas.

Transparente: falam abertamente sobre os problemas e exigem sinceridade de todos os que trabalham consigo.

Deste modo está feito um primeiro esboço do que nos espera nas décadas vindouras em termos de liderança mas também em termos de hábitos e atitudes na esfera social e privada:

- Mais tempo para a casa, os filhos, a família e os hobbies
- Mais qualidade em detrimento da rapidez
- Mais tecnologia
- Mais preocupações ambientais
- Mais aprendizagem ao longo da vida
- Mais espaços de lazer e relaxamento
- Um estilo de liderança mais assertivo

Em alguns casos ter mais tempo vai significar ter menos dinheiro pelo que se espera também um decréscimo no consumismo exacerbado dos últimos anos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O Lado bom da crise


É verdade que esta está a ser uma crise penosa para muitos de nós e que, como qualquer crise, traz desconforto, perda de confiança e por vezes desespero, mas também é verdade que uma crise sempre encerra oportunidades. É delas que pretendo falar neste post.

Foi graças à crise que muitos corruptos caíram e que muita corrupção veio ao de cima, foi graças à crise que o mundo se começou a virar para a sustentabilidade a vários níveis nomeadamente a nível ambiental e social.

A crise surge como um momento de reflexão que nos obriga a re-equacionar posições e a re-avaliar decisões de fundo. A escalada da crise fez-se sentir nos mais diversos sectores, do preço dos combustíveis à escassez de matérias-primas e à falência das empresas e das famílias. Mas esta é também uma crise de valores.

Em última instância a crise fez-nos questionar um modelo de sociedade que já deu o que tinha a dar. Todos os sectores mencionados foram afectados porque tudo está conectado nesta era de globalização, logo, não basta acorrer a um sector específico para solucionar a crise, há que repensar o modelo que temos vindo a seguir. É aqui que reside a oportunidade de mudança de paradigma.

Já são muitas as empresas que apostam na chamada “economia verde”, ou seja, em formas de produção mais limpas e que respeitem o meio ambiente e espera-se que este tipo de economia venha a gerar inúmeros postos de trabalho.

As mudanças climáticas estão na ordem do dia mas finalmente existe a percepção de que as mesma terão custos associados. Assim, elencar medidas de protecção do meio ambiente é agora visto como um bom investimento.

No final do ano em Copenhaga vão ser discutidos os modos de actuação da chamada “economia verde”. Espera-se um novo protocolo que substituirá o de Quioto. Vamos ver para que lado pendem as forças, se para o lucro a qualquer preço ou para um futuro sustentável para todos.

A crise traz consigo os ventos e as sementes da mudança mas ainda é cedo para ver os frutos. Importa manter as coisas em perspectiva sem perder de vista os pequenos passos que estão já a ser dados.


Definição de Crise na Wikipédia "Oriunda do latim, o termo crise tem o mesmo sentido da palavra vento. Indica, um estágio de alternância, no qual uma vez transcorrido diferencia-se do que costumava ser. Não existe possibilidade de retorno aos antigos padrões."

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Fragmentos

foto residente no blog andrewssouza.blogspot.com

Fragmentos do que somos e do que gostaríamos de ser. Somos fragmentos dispersos que se ligam por ténues linhas agregadoras. O que não está ao nosso alcance é sempre o que mais buscamos no intimo das nossas ambições. Vamos além. Muitas vezes vamos além do que nos é humanamente possível e isso corrói-nos as forças e a vontade. A esperança sempre nos visita por vezes de modo tímido mas é ela que nos sustenta por dentro, para não nos deixar moribundos, num mundo cada vez mais incerto e caótico. Eu acredito que ainda é possível a dança do riso, apesar de ela por vezes se me afigurar vã, mas há que ir em frente e acalentar sonhos e esperanças de peito aberto.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Mentiras na Net

Muitos de nós já vimos os vídeos que têm circulado na net, mostrando jovens que fazem, alegadamente pipocas activando telemóveis apontados para grãos de milho.

Eis um exemplo:




Os vídeos circularam pelas nossas caixas de mail com mensagens do tipo "se os telemóveis podem fazer pipocas o que farão aos nossos neurónios?".
Muitos reencaminharam apressadamente a mensagem para amigos e conhecidos, pois claro, convém alertar...

Mas será mesmo que todo o alerta que circula na net é de levar em conta?

É que neste caso tudo não passou de um truque publicitário que antecedeu um spot da Cardo Systems para promover os seus auriculares bluetooth, ora vejam:




Além do mais, segundo a revista Science & Vie deste mês, num artigo sobre este tema, seria necessária uma descarga de 700 watts para fazer pipocas e um telemóvel tem em média uma descarga de apenas 2 watts.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Grameen Bank

O Fim da Pobreza (económica e de mentalidade?...)

Digam o que disserem os mais negativistas, ele há coisas boas a acontecer por aí. Seria bom, se pudéssemos virar o foco para elas.

Uma das coisas mais fantásticas que tem vindo a mudar, para melhor, muitas vidas, chama-se Grameen Bank e é "o primeiro banco do mundo especializado em microcrédito". O Grameen Bank ganhou o Prémio Nobel da Paz do ano 2006 juntamente com seu fundador Muhammad Yunus.

A ideia da criação do Grameen Bank nasceu após o seu fundador, que estudou economia nos EUA, ter percebido, ao voltar ao Bangladesh, o seu país natal, em 1975, que os mais pobres simplesmente não podiam melhorar as suas condições de vida devido ao facto de viverem sob o jugo dos agiotas ou prestamistas, que até então surgiam como única possibilidade de sobrevivência para muitas famílias. Muhammad Yunus percebeu que aquelas pessoas precisavam de uma oportunidade para realizar dinheiro sem serem escravizadas economicamente. A forma de o fazer seria através de um microcrédito que não pedisse garantias, nem cobrasse exorbitantes taxas, condições que, do seu ponto de vista, têm constituído os principais entraves à erradicação da pobreza extrema nos países do hemisfério sul.

A este propósito diz Muhammad Yunus numa entrevista dada à revista "Courrier Internacional" de 2008/06: "Critico o dogma segundo o qual não podem ser atribuídos empréstimos sem garantia, sobretudo aos mais pobres. (...) Os princípios actuais do sistema bancário impedem que metade da população mundial participe na vida económica. Não apenas nos países dos sul mas também nos EUA e na Europa. Os bancos tradicionais exigem às pessoas que sejam solventes, antes de lhes emprestarem dinheiro. Mas para que servem, se não ajudam as pessoas a sair de uma situação difícil, a criar valor e trabalho." E acrescenta ainda que: "Segundo um inquérito recente, 64% daqueles a quem concedemos empréstimos por cinco anos, saíram da pobreza crónica."

Este microcrédito favorece as chamadas actividades "informais", ou seja, a manufactura e venda de artigos diversos, as pequenas reparações, em suma os pequenos negócios familiares. Isto porque, segundo Muhammad Yunus "não promover nada para além do regime assalariado parece-me terrivelmente limitado. Ver apenas o homem como um ser que procura um ordenado parece-me uma concepção muito limitada do ser humano. É uma forma de escravidão.(...) Levamos vidas rígidas, repetindo diariamente os mesmos ritmos de trabalho. Corremos para o trabalho, corremos de volta para casa. Esta vida robótica não me parece um progresso. (...) O homem é considerado apenas como um agente económico, um empregado, uma assalariado, uma máquina. É uma visão unidimensional do humano. Ser assalariado deveria ser uma opção entre várias."

A isto chamo eu um verdadeiro pensador e que, mais do que pensar, age no tecido económico-social implementando as suas ideias.

A prova do sucesso do Grameen Bank, é que já distribuiu 6 mil milhões de dólares a 150 milhões de famílias, sem exigir garantias e com uma taxa de reembolso de 95%.

Que tal aproveitar ideias como estas para fazer face à crise que se vive actualmente no ocidente?

Que tal deixarmos de ver o ser humano como uma mera peça de uma engrenagem que o subjuga continuadamente, e devolvê-lo a si próprio?

sábado, 21 de junho de 2008

Pelo direito à diferença...

foto residente no site: midiaepoderdany.zip.net

"Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sózinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?"


Fernando Pessoa

domingo, 15 de junho de 2008

Pensar a Medicina

Excerto do livro que estou a ler actualmente - “Loucos são os Outros” do Psiquiatra Jaime Milheiro, publicado no ano 2000 pela editora “Fim de Século”.


Pensar a Medicina

No fim do século mais científico da História, temos igualmente a impressão de estar no fim duma época quanto à teoria e prática da Medicina e quanto à concepção da Saúde/Doença. Por várias razões, mas sobretudo pelas bastante previsíveis e em vários ângulos anunciadas mudanças de entendimento sobre o modo de funcionar do ser humano, provindas de aprofundamentos recentes. Estaremos no fim duma época quanto às considerações fundamentais sobre o conjunto funcionante que cada indivíduo representa e também quanto ao que daí resultará sobre a prática clínica. Reflectir sobre isso interessa aos médicos, aos doentes, a toda a gente.

I

Como funciona o ser humano? Porque funciona o ser humano, o que o faz funcionar? Por estar vivo, por obedecer à fisiologia, aos princípios da vida...será uma resposta um tanto simplória, concordaremos, além de pouco estimulante para quem tiver a obrigação profissional de sobre isso reflectir. E o médico vê-se obrigado a fazê-lo, porque a sua prática diária vive impregnada de perguntas deste tipo, decorrentes: porque adoeceu aquela pessoa, porque se alterou o funcionamento que até então proporcionava sentimentos de Saúde, como se desmembrou tudo isso?

Evidentemente, é sempre possível evitar a reflexão, no médico ou no doente (pensar dói muitas vezes, ou é inútil), remete-se para um “isso não é comigo”, reduzindo a preocupação apenas à forma de tratar a úlcera ou a bronquite. É tentador afirmar: “sou um técnico, ou ... sou um doente... só me preocupo com isso.” Mas tentar corrigir o defeito do móvel sem pensar na interligação das gavetas , nem no movimento geral da sua construção, vai ser cada vez menos satisfatório, porque se vai sedimentando um sentimento natural de pesquisa em toda a gente. O refúgio banal de atribuir causalidades externas a tudo o que se passa, vai notoriamente perdendo terreno, na cultura. As doenças obedecerão, nesse tipo de pensamento, na realidade efectiva ou na realidade simbólica, ao esquema bacteriano descoberto por Pasteur: vêm de fora. Extrapolando das bactérias propriamente ditas, para muitas outras razões análogas habitualmente utilizadas, as doenças, neste modelo “bacteriano”, serão produto dum corpo estranho, dum invasor, gerador da “infecção” naquele órgão. Competirá à medicina, como objectivo final, a esforçada descoberta do antibiótico suficientemente eficaz para o liquidar. Temos todos (médicos, doentes e candidatos a esses dois estados) este esquema de tal forma montado dentro de nós, apreendêmo-lo e conservámo-lo com tal intensidade, que sem darmos por isso constantemente o supomos e utilizamos. Mesmo em circunstância onde é totalmente absurdo fazê-lo. Verdadeiro automatismo ou reflexo condicionado, com enorme sucesso em múltiplas situações, na medicina, na cirurgia, desse sucesso colhemos apressada justificação para continuar.

Mas hoje não chega obviamente erradicar a bactéria, ou carpinteirar o órgão.

II

Essas leituras, extremamente parcelares, vêm sendo substituídas progressivamente por outras que procuram estudar, compreender e tratar o doente sem o excluir da doença, na génese, no trajecto e na finalização. A doença deixa de ser um corpo estranho, uma “bactéria” hospedada num “órgão”, susceptível de ser posta na rua, para ser considerada um processo geral psicossomático. Sempre!

As grelhas de pensamento que proporcionaram ciências actuantes na brilhante “medicina do órgão” que temos vindo a conhecer, as tecnologias aplicadas à terapêutica que muito justificadamente têm espantado a humanidade e vão continuar a fazê-lo, vêm-se hoje obrigadas a essa enorme revisão. É que os avanços definidos pelas linhas que marcaram o nosso tempo, se afunilaram numa faixa cada vez mais estreita e se afastaram muitíssimo do sofrimento próprio do portador individualizado. Excessivamente cega, impessoal, essa faixa encaminhou-se na prática para o maquinal ossificado, que, embora tecnicamente perfeito, ultrapassou o risco vermelho e quase caiu em zona de completa artificialidade. Tornou-se ao mesmo tempo muito complacente de si mesma, nada do doente, escurecendo-se cada vez mais no computador, se não houver correcção de rota. Conhecimentos e desenvolvimentos não põem em causa a sua validade, mas questionam a sua possibilidade de integração no conjunto da Pessoa. Áreas múltiplas, nas ciências físicas, nas ciências humanas, nas ciências psicológicas, no infinitamente pequeno, na vertente orgânica mensurável em grupo e susceptível de comparação, na vertente mental incomparável entre indivíduos, têm aberto portas impensáveis até há pouco. Verifica-se hoje que, muito mais do que as partes ou a soma delas, a grande questão é o funcionamento global interior, com regras e princípios essenciais, mal conhecidos ainda, mas em pleno movimento de descoberta.

Nessa encruzilhada nos encontramos hoje, na encruzilhada da globalização. Curiosamente, retorna-se desse modo à medicina anterior a este século, à medicina anterior à “medicina de órgão”, conduzindo no entanto na bagagem a ciência entretanto adquirida.

III

Cada novo processo terapêutico, mesmo eficaz, terá sempre efeito temporário porque não invalida o funcionamento descompensado, físico ou mental, que dentro de si o doente contém e a doença sinaliza. A terapêutica adia, compensa ou substitui, mas nada resolve se os mecanismos interiores, fisiológicos, psicológicos, não forem alterados. Comprova-se agora o que toda a gente sabia, mas a cultura deste século ilusoriamente procurou desfazer: consertar por um lado equivale a romper por outro, se nada mudar no contexto da pessoa. A ciência médica inúmeras vezes esqueceu isto, junto de si própria e junto dos doentes, nas famílias, na opinião pública, mais vincadamente ainda na tão propagandeada “medicina de ponta”. Culturalmente intoxicados, por conceitos terapêuticos grandiosos e por secreto desejo de imortalidade, todos embarcamos alegremente nessa cumplicidade e participamos altivamente nos milhões gastos em zonas inúteis, ou no benefício duma industria farmacêutica cada vez mais voraz e lucrativa. Há uma enorme desproporção entre o aproveitamento afectivo e a justa racionalidade nos objectivos terapêuticos, que inconscientemente se alimenta, ou sobrealimenta, no dia-a-dia. Ter consciência disso, dizê-lo abertamente, só pode ser útil e pedagógico, embora por norma se faça justamente o contrário para não ferir o estabelecido.

IV

A angustia médica é quase sempre idêntica à do doente, nessa procura excessiva. Por isso o médico colabora prazenteiramente e desagua no “sou técnico...nada mais do que isso”. Cumpridas da sua parte as baterias sobre estômagos, corações ou cérebros, segundo a arte, nada mais se lhe poderá pedir ou assacar. É tentador e muito mais fácil. Pragmatismos deste tipo servem e tranquilizam, em ambas as direcções.

Estamos na verdade de tal forma condicionados pela tecnologia, pela noção bacteriana da doença, pela busca do “antibiótico” físico ou mental, pelo isolamento do órgão, que em muitos locais, até os processos sistémicos já bem conhecidos são vistos deformadamente como novos órgãos! Como se fossem outros órgãos. O sistema imunitário, por exemplo, global e globalizador, movido emocionalmente, “psico-imunitário” como tudo indica, é muito facilmente considerado por muitos outro órgão, que se divide e isola. Atribuem-se-lhe nesse caso as funções específicas clássicas, contrariando tudo o que dele já se sabe como “gestor” das razões íntimas da pessoa, com influências bem conhecidas na génese de muitas doenças, cancro incluído.

V

O narcisismo pessoal ou profissional verte-se muitas vezes no discurso megalómano de ilusões, ao certificar a pequenez e a limitação que nos caracteriza.

Toda a ciência médica está a evoluir implacavelmente, no sentido que referimos. Mas, como sempre aconteceu na história das ciências e das ideias, os avanços acarretam perdas, sobretudo perdas de ilusões, quando obrigam a novas leituras. Mudam necessidades, são por isso bastante difíceis de instalar.”



Há tempos escrevi aqui alguns artigos sobre “Saúde Integral” onde abordei, do modo limitado que é possível a um leigo fazê-lo, alguns destes temas. É pois com especial prazer e contentamento, que publico agora este texto de um reconhecidíssimo Psiquiatra português.

Não posso deixar de sentir um misto de alegria e alívio, ao constatar a existência de personalidades como a de Jaime Milheiro, atentas, questionadoras, interventivas e transformadoras das leituras e mentalidades, que por vício ou preguiça, se instalaram e cristalizaram perigosamente, ao longo dos tempos na nossa sociedade.

Mudanças são necessárias e urgentes, todos o reconhecemos, mas elas não se fazem se não pusermos em prática a capacidade questionadora que Deus nos deu. A todos!

Bem-haja Dr. Jaime Milheiro, entre outras coisas, pela lição de coragem e de ousadia sempre necessárias nos processos de mudança, mas também pela pertinência de um texto ao qual ninguém pode ficar indiferente.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Marrocos - Maio 2008

Uma viagem muito para além da viagem em si!







Do meu ponto de vista, de quem já viajou alguma coisa, a viagem começa e acaba em cada um de nós. Os países, a música, os pratos típicos desconhecidos, são como facetas pessoais, ocultas ou ainda não exploradas. De certo modo, somos todos viajantes à procura de nós próprios, ainda que, muitas vezes, sob o pretexto ou através da procura exterior.

Marrocos foi uma viagem que não vou esquecer!

Inch' Alla!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Pausa

foto residente no site:floreca.no.sapo.pt


Este blog vai fazer uma pausa de algumas semanas.
Regresso previsto para a última semana de Maio.

Até lá, deixo uma questão que me foi colocada ontem:

- Será o acto de Blogar um exercício meramente narcisista?
- Quais os reais benefícios de se manter um blog?

Até ao meu regresso, fiquem bem.

Pink

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Manvantaras e Pralayas


Part I

Manvantara - Um dia de Brahmâ - período de manifestação do Cosmos equivalente a 4.320.000.000 anos solares
(um dia)

Pralaya - Uma noite de Brahmâ - período de repouso do Cosmos equivalente a 4.320.000.000 anos solares
(uma noite)

um Ano de Brahmâ
-
3.110.400.000.000 anos solares
(um ano)

Mahamanvantara
- 100 anos de Brahmâ ou período completo da Idade de Brahmâ - período de actividade do Cosmos equivalente a 311.040.000.000.000 anos solares
(uma vida)

Mahapralaya
- período de inatividade do Cosmos equivalente a 311.040.000.000.000 anos solares
(inactividade, morte, período entre vidas)

Os termos acima são encontrados na tradição Hindu, anterior ao Cristianismo e mais recentemente, (Séc. XIX) na Teosofia.


Part II

Discover Magazine - April 2008, pag. 54 - "The Day Before Genesis"

"For Paul Steinhardt and Neil Turok, the Big Bang ended on a summer day in 1999 in Cambridge, England. Sitting together at a conference they had organized, called “A School on Connecting Fundamental Physics and Cosmology,” the two physicists suddenly hit on the same idea. Maybe science was finally ready to tackle the mystery of what made the Big Bang go bang. And if so, then maybe science could also address one of the deepest questions of all: What came before the Big Bang?

(...) In the standard interpretation of the Big Bang, which took shape in the 1960s, the formative event was not an explosion that occurred at some point in space and time—it was an explosion of space and time. In this view, time did not exist beforehand. Even for many researchers in the field, this was a bitter pill to swallow. It is hard to imagine time just starting: How does a universe decide when it is time to pop into existence?

(...) The prospects for making sense of the Big Bang began to improve in the 1990s as physicists refined their ideas in string theory, a promising approach for reconciling the relativity and quantum views. Nobody knows yet whether string theory matches up with the real world—the Large Hadron Collider, a particle smasher coming on line later this year, may provide some clues (...)

The key concept turned out to be a “brane,” a three-dimensional world embedded in a higher-dimensional space (the term, in the language of string theory, is just short for membrane). “People had just started talking about branes when we set up the conference,” Steinhardt recalls. “Together Neil and I went to a talk where the speaker was describing them as static objects. Afterward we both asked the same question: What happens if the branes can move? What happens if they collide?”

A remarkable picture began to take shape in the two physicists’ minds. A sheet of paper blowing in the wind is a kind of two-dimensional membrane tumbling through our three-dimensional world. For Steinhardt and Turok, our entire universe is just one sheet, or 3-D brane, moving through a four-dimensional background called “the bulk.” Our brane is not the only one; there are others moving through the bulk as well. Just as two sheets of paper could be blown together in a storm, different 3-D branes could collide within the bulk.

(...) Three years later came a second epiphany: Steinhardt and Turok found their story did not end after the collision. “We weren’t looking for cycles,” Steinhardt says, “but the model naturally produces them.” After a collision, energy gives rise to matter in the brane worlds. The matter then evolves into the kind of universe we know: galaxies, stars, planets, the works. Space within the branes expands, and at first the distance between the branes (in the bulk) grows too. When the brane worlds expand so much that their space is nearly empty, however, attractive forces between the branes draw the world-sheets together again. A new collision occurs, and a new cycle of creation begins. In this model, each round of existence—each cycle from one collision to the next—stretches about a trillion years. By that reckoning, our universe is still in its infancy, being only 0.1 percent of the way through the current cycle.

The cyclic universe directly solves the problem of before. With an infinity of Big Bangs, time stretches into forever in both directions. “The Big Bang was not the beginning of space and time,” Steinhardt says. “There was a before, and before matters because it leaves an imprint on what happens in the next cycle.”

The standard model of the early universe predicts that space is full of gravitational waves, ripples in space-time left over from the first instants after the Big Bang. These waves look very different in the cyclic model, and those differences could be measured—as soon as physicists develop an effective gravity-wave detector. “It may take 20 years before we have the technology,” Turok says, “but in principle it can be done. Given the importance of the question, I’d say it’s worth the wait.”


Meu Deus! e tanto alvoroço para separar o conhecimento mistico ou religioso do conhecimento ciêntifico! Ainda não percebereram que ambos convergem na mesma direcção? - "Seek and you sall find" - diz-vos alguma coisa?

Claro que (e necessariamente) os métodos são distintos. Mas não vos parece que os métodos ciêntificos são desmesuradamente mais lentos, artificiais e caros para o ser humano (em todos os sentidos que a palavra caro pode aqui assumir)?

quinta-feira, 10 de abril de 2008

A geração do ecrã

O texto que se segue é da escritora Alice Vieira, e foi publicado no JN a 30 de Março de 2008. Publico-o aqui por merecer a minha total concordância.

“Desculpem se trago hoje à baila a história da professora agredida pela aluna, numa escola do Porto, um caso de que já toda a gente falou, mas estive longe da civilização por uns dias e, diante de tudo o que agora vi e ouvi (sim, também vi o vídeo), palavra que a única coisa que acho verdadeiramente espantosa é o espanto das pessoas.

Só quem não tem entrado numa escola nestes últimos anos, só quem não contacta com gente desta idade, só quem não anda nas ruas nem nos transportes públicos, só quem nunca viu os "Morangos com açúcar", só quem tem andado completamente cego (e surdo) de todo é que pode ter ficado surpreendido.

Se isto fosse o caso isolado de uma aluna que tivesse ultrapassado todos os limites e agredido uma professora pelo mais fútil dos motivos - bem estaríamos nós! Haveria um culpado, haveria um castigo, e o caso arrumava-se.

Mas casos destes existem pelas escolas do país inteiro. (Só mesmo a Sr.ª ministra - que não entra numa escola sem avisar - é que tem coragem de afirmar que não existe violência nas escolas.)

Este caso só é mais importante do que outros porque apareceu em vídeo, e foi levado à televisão, e agora sim, agora sabemos finalmente que a violência existe!

O pior é que isto não tem apenas a ver com uma aluna, ou com uma professora, ou com uma escola, ou com um estrato social.

Isto tem a ver com qualquer coisa de muito mais profundo e muito mais assustador.

Isto tem a ver com a espécie de geração que estamos a criar.

Há anos que as nossas crianças não são educadas por pessoas. Há anos que as nossas crianças são educadas por ecrãs.

E o vidro não cria empatia. A empatia só se cria se, diante dos nossos olhos, tivermos outros olhos, se tivermos um rosto humano.

E por isso as nossas crianças crescem sem emoções, crescem frias por dentro, sem um olhar para os outros que as rodeiam.

Durante anos, foram criadas na ilusão de que tudo lhes era permitido.

Durante anos, foram criadas na ilusão de que a vida era uma longa avenida de prazer, sem regras, sem leis, e que nada, absolutamente nada, dava trabalho.

E durante anos os pais e os professores foram deixando que isto acontecesse.

A aluna que agrediu esta professora (e onde estavam as auxiliares-não-sei-de-quê, que dantes se chamavam contínuas, que não deram por aquela barulheira e nem sequer se lembraram de abrir a porta da sala para ver o que se passava?) é a mesma que empurra um velho no autocarro, ou o insulta com palavrões de carroceiro (que me perdoem os carroceiros), ou espeta um gelado na cara de uma (outra) professora, e muitas outras coisas igualmente verdadeiras que se passam todos os dias.

A escola, hoje, serve para tudo menos para estudar.

A casa, hoje, serve para tudo menos para dar (as mínimas) noções de comportamento.

E eles vão continuando a viver, desumanizados, diante de um ecrã.

E nós deixamos.”

Alice Vieira


E eu pergunto: - Até quando vamos nós continuar a atacar, desesperada e desnorteadamente, a poluição na foz do rio, enquanto, sistematicamente ignoramos as descargas poluentes junto à nascente?

domingo, 6 de abril de 2008

A Linguagem do Silêncio





quinta-feira, 3 de abril de 2008

Deus

foto residente no blog: trintaetresdc.blogspot.com

Nos últimos dias, vá-se lá saber porquê, quando falo com alguém, a conversa acaba por ir parar à religião. Ora, eu não pratico nenhuma religião, apesar de ter tido, como muitos, uma educação baseada no Cristianismo.


Por outro lado, estou longe de ser ateia e, ainda menos, agnóstica. Sempre acreditei em Deus (apesar de, durante um certo período da minha vida, me ter resignado a uma crença balofa).


Mas a vida sempre mostra o caminho de "regresso" a Deus, a quem não desistiu totalmente de o percorrer. Foi o que aconteceu comigo.

Nesse caminho várias coisas me surpreenderam, nomeadamente, a questão das provas da existência de Deus. Será que alguém espera ver Deus sair de um tubo de ensaio? ou de um acelerador de partículas? ou talvez, que ele espreite pela lente de um telescópio espacial?...

Que tal deixarmos de procurar Deus como se ele estivesse lá fora no quintal, escondido entre as alfaces, e procurarmos antes, no único sítio onde Ele pode ser encontrado: dentro de cada um de nós?


Bastante mais sensato - parece-me.

Há muito que me afastei da Igreja e respectivas missas (que mais não fazem do que repetir ladaínhas) e há muito que iniciei um percurso "religioso", por conta própria, bastante solitário, diga-se de passagem, porque isto de não seguir a "carneirada", quer queiramos, quer não, transforma-nos em "ovelhas tresmalhadas".

Neste meu percurso, cruzei-me com várias fontes e ensinamentos. Fui extraindo de cada um, o que cada um tinha de melhor. E encontrei uma doutrina com a qual, efectivamente, me identifico: Chama-se Teosofia.

Teosofia deriva do termo grego "theosophia" - Theo - Deus + Sophia - Sabedoria, que é como quem diz: Sabedoria Divina.

Assenta no pressuposto de que todas as religiões têm um tronco comum, e propõe-se revitalizar esses ensinamentos perdidos. Têm afinidades com o Hinduísmo, o Budismo e o Gnosticismo entre outros.

Fica aqui o link para quem quiser, conhecer melhor a TEOSOFIA

Há muitos caminhos para Deus, mas todos começam do lado de dentro e não do lado de fora do nosso Ser.


Namasté!


As Novas Ditaduras

Este post vem a propósito de uma senhora (que não conheço mas com quem me cruzo algumas vezes).
Esta senhora não tem uma perna e por isso apoia-se em canadianas. O que eu não compreendo é porque razão, o único pé que a senhora tem, vive (des)apoiado num sapato de salto de 7 cm!

Quer dizer, mesmo com dois pés, andar em cima de saltos altos já me parece arriscado, mas só com um?!...e com muletas?!...

Será que esta senhora acha mesmo preferivel, cair e partir a unica perna que lhe resta, a usar sapatos confortáveis?

Alguém explica ao mundo que a ditadura da imagem não tem trono nem rei? que é auto-imposta, que não faz as pessoas mais felizes, nem mais saudáveis, antes pelo contrário!...

Tanta luta pela liberdade e é assim que a usamos? Ou será que o ser humano simplesmente não sabe ser livre?

segunda-feira, 31 de março de 2008

Grandes Erros da Ciência

Há dias comprei o número especial da Scientific American, edição brasileira, sob o título " Os grandes erros da ciência"

Sob o titulo podemos ler a frase: "Na actividade cientifica, errar é a regra, não a excepção. Só aceitando esse facto, o conhecimento pode avançar."

Isto parece-me importante ser dito e como diria o BB - "há que dizê-lo com frontalidade."

Foi com esse espírito de frontalidade que o editor escreveu no editorial da referida revista, o que a seguir transcrevo:

"O território e o mapa

A aventura do conhecimento é um processo assimptótico(1) infinito. Assimptótico(1) porque nos aproximamos, cada vez mais, da meta planejada. Infinito porque jamais a alcançamos. Por melhores que sejam nossas representações da realidade, o real, ele mesmo, encontra-se sempre um passo adiante. E, sucessivamente desvelado, ainda esconde, sob incontáveis véus, sua fugidia nudez.

A aventura do conhecimento é um processo errático e dissipativo. A frase que inicia o parágrafo anterior talvez seja, também ela, uma imagem falsa – ou, no melhor dos casos, apenas meia verdade. Pois sugere uma linearidade, um carácter necessariamente progressivo, que a empreitada do conhecimento, de fato, não tem. Caminhamos às apalpadelas. E os conceitos que construímos ontem, e descartamos hoje com desdém, talvez tenham de ser retomados amanhã, em uma nova curva da espiral evolutiva. O escritor Arthur Koestler comparou a actividade científica ao sonambulismo, demonstrando, com exemplos superlativos, que o avanço da ciência ocorreu, muitas vezes, a despeito das mais caras convicções dos seus protagonistas ou até mesmo contra elas.

A impossibilidade de atingir a verdade absoluta é inerente à actividade racional, e repousa na dicotomia entre o sujeito (o observador) e o objecto (o observado) – dicotomia que se mantém mesmo quando o objecto em pauta é a própria subjectividade. Enquanto persistir a mais ténue barreira entre o observador e o observado, a ciência será sempre uma obra inacabada, precária, provisória. Por isso, na práxis científica, o erro é a regra e não a excepção, um constituinte fundamental e não mero acidente de percurso.
Por isso, também, a reflexão sobre o erro nos ensina mais sobre a natureza da ciência do que a exaltação triunfalista de seus êxitos.

Dedicada a grandes erros, cometidos por grandes cientistas, esta edição posiciona-se claramente a favor da ciência, e não contra. A ciência não é apenas uma actividade vital para a sobrevivência e o desenvolvimento da humanidade. É também uma das mais belas produções da inteligência humana. Mas somente a aceitação de seu carácter limitado, parcial e incerto pode impedir que se transforme em um fossilizado sistema de crenças.

Na concepção e execução deste número especial de SCIENTIFIC AMERICAN, inteiramente produzido no Brasil, contamos com a inestimável colaboração de Roberto de Andrade Martins, considerado, com justiça, um dos maiores historiadores da ciência do país. A ele e a todos os autores que, sob sua competente coordenação, tornaram esta edição possível, nossos sinceros agradecimentos."

José Tadeu Arantes, editorScientific American-Brasil

Por isso amigos, questionem. Não se "encostem" em supostas "verdades absolutas" porque elas não existem.

(1) "A palavra assimptótico deriva do grego asymptotos que possui o significado de "não coincidente". É conhecido o termo "assimptota" para designar a recta que, em relação a uma determinada curva, se lhe aproxima indefinidamente mas sem que haja a possibilidade de ambas virem a coincidir. Ao que parece o termo surge pela primeira vez a propósito da hipérbole y2 - x2 = 1, e das suas assimptotas y = x e y = - x."

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

The Invitation

Já li várias traduções "assassinas" deste poema, um dos meus preferidos de sempre, pela força, pela coragem, pela ousadia, pela honestidade crua, despida de pieguice, mas sobretudo, por ser um convite (desafio) à capacidade de se ser fiel a si próprio e ao que é verdadeiramente importante na vida, sem medo e sem disfarce, usando a coragem para se ser autêntico e inteiro e não ao serviço de valores externos, impostos por uma sociedade que nos impele a criar e defender uma imagem, que raramente é um verdadeiro reflexo de quem somos de facto.
Assim, faço questão de deixar aqui o original: "The Invitation"

Desfrutem, partilhem mas por favor não estraguem! :)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

2U

foto residente no site:letempsdescerises.no.sapo.pt


Chegaste com a força e a limpidez de uma cascata e desaguaste-me nos braços (afinal os deuses sabiam da minha sede de emoções puras e transparentes).

Digo sim, quero beber o brilho do teu sol e abraçar contra o peito a nudez da tua alma.

Não há sombras nem graus de cinzento. À tua volta apenas claridade e eu mergulho nela. Vou ao fundo de ti e ao fundo de mim e não tenho medo. Eu , que nem sei nadar, deixo-me ir, flutuo, sinto-me leve. Não me puxas nem me empurras, embalas-me e eu gosto.

Já te disse como é bom morar no teu peito? É um lugar muito acolhedor. Tem janelas largas por onde a luz entra sem parar. Não há corredores nem labirintos. É um espaço amplo, luminoso e fresco.
E eu esqueço-me do tempo no teu abraço...

Não sei onde vamos mas vou. Descobrirei contigo o caminho a cada passo. Talvez o mar!...

Nesta caminhada não há drama, nem tragédia, ninguém se desfaz em pedaços. Há a minha e a tua alma, o som de um sentimento, e as cores e a dança de estarmos vivos.

E eu esqueço-me do tempo no teu abraço...

domingo, 27 de janeiro de 2008

Um Pouco de Céu




"Só hoje senti
que o rumo a seguir
levava pra longe
senti que este chão
já não tinha espaço
pra tudo o que foge
não sei o motivo pra ir
só sei que não posso ficar
não sei o que vem a seguir
mas quero procurar

e hoje deixei
de tentar erguer
os planos de sempre
aqueles que são
pra outro amanhã
que há-de ser diferente
não quero levar o que dei
talvez nem sequer o que é meu
é que hoje parece bastar
um pouco de céu
um pouco de céu

só hoje esperei
já sem desespero
que a noite caísse
nenhuma palavra
foi hoje diferente
do que já se disse
e há qualquer coisa a nascer
bem dentro no fundo de mim
e há uma força a vencer
qualquer outro fim

não quero levar o que dei
talvez nem sequer o que é meu
é que hoje parece bastar
um pouco de céu
um pouco de céu"

Mafalda Veiga

sábado, 26 de janeiro de 2008

Plutão em Capricornio - 2008 a 2024

foto residente no site:www.gaia-astrologica.com.br

Plutão entra hoje, 26-01-2008, em Capricórnio, onde permanecerá até 2024.


Vão ser 16 anos de "expurgo" do lixo acumulado nas estruturas mais rígidas dos sistemas mundiais. Sistemas políticos, económicos, sociais, laborais e todas as estruturas ligadas ao poder e ao uso do poder vão ser "abanadas" quer individual, quer colectivamente.

Plutão, astrologicamente falando, é considerado o planeta da morte e renascimento. É o destruidor mas também o transformador. A sua energia assemelha-se à de um vulcão que traz à superfície todas as impurezas que já não podem ficar ocultas ou latentes.


Que faremos nós com esta energia? Depende de cada um. A astrologia, ao contrário do que alguns julgam, não impõe o comportamento X para a situação Y. Ao invés disso ela mostra-nos em que áreas da nossa vida podem ocorrer maiores tensões e ajuda-nos a lidar com elas mas o "como" dependerá sempre do nosso livre-arbítrio.


No que concerne à energia deste transito, ela será forte e por isso mesmo, quanto menor resistência lhe oferecermos maiores serão as probabilidades de a utilizarmos a nosso favor, em proveito da nossa própria transformação interior.


Será um bom período para reflectirmos sobre quem somos e em que medida, a forma como nos mostramos ao mundo, é ou não coincidente com quem somos de facto interiormente.


Qual é a minha verdade? (não a do meu pai, não a do meu patrão, não a do meu credo mas a minha)


E como aplico essa verdade? Que uso faço dela?


Quais são as minhas escolhas? Faço-as em nome de quê ou de quem?


Quais são os meus valores? Eles representam quem eu sou?


Estas são algumas das perguntas que seremos chamados a fazer durante este transito.


O desafio será grande mas se não-lhe fugirmos, os ganhos serão proporcionais.


O melhor conselho que posso dar a todos, incluindo a mim própria, neste momento é este:


Sejamos como o bambu que se verga sob o vendaval para não quebrar.


Há muita informação na net sobre este transito mas nem toda tem a qualidade desejável. Ainda assim, encontrei este Artigo que me pareceu bastante bom.


Namasté!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Tabaco - A Maior Hipocrisia II

Parece que poucos entenderam o sentido do post anterior, por isso aqui fica o esclarecimento, que espero seja suficiente e definitivo quanto à sua essência.


Vamos por partes.

HISTÓRIA DO TABACO

"Parece que o hábito de se fumar foi introduzido primeiro em Inglaterra, em 1585 por sir Francisco Drake, que de volta da Virgínia, propagou e ensinou a manipular o tabaco, segundo o processo dos naturais daquela região. Então abriu-se a primeira casa de venda para o consumo da planta em França, e em Espanha supõe-se ser o uso do tabaco de fumo, devido a um frade espanhol, residente muitos anos na ilha de S. Domingos. O gosto da substância fornecia grandes proventos aos estados apesar de se reconhecer que era pernicioso ao organismo. Parece que foi no principio do século XVII, pouco mais ou menos, que em Portugal começou o seu consumo com uma certa importância sempre crescente, dando origem a um pequeno imposto arbitrado pelo rei, imposto este, que foi dia a dia aumentando com a gradual progressão dos lucros, que os comerciantes auferiam. Antes da aclamação de D. João IV, o contrato do tabaco foi arrematado pelo espaço de 3 anos na corte de Madrid, por um português em 40$000 reis por ano; passado esse prazo, Inácio de Azevedo, também português, o ajustou por 60$000 reis, mas tendo falecido, passou de novo o contrato ao primeiro. O acrescimento foi subindo de ano para ano, e em 1640, foi o contrato arrematado por 10:000 cruzados, e em 1674, por 66:000 cruzados. Do ano de 1675 em diante rendeu o tabaco 500:000 cruzados até um 1 milhão de cruzados, e no anuo de 1698 aumentou o dito contrato a 1 milhão e 600:000 cruzados e finalmente nos anos de 1707 e 1708 o castelhano D. João António de la Concha trouxe o contrato do tabaco arrendado por 2 milhões e 200.000 cruzados, em cada ano, não com pequena admiração da prodigiosa química, com que pó e fumo, em prata e ouro se convertiam. Assim se conservou algum tempo, para do novo retomar o aumento progressivo e chegar afinal à importância de 1520 contos anuais, que foi o preço do contrato que findou em 1864. Tendo sido abolido por lei das cortes o monopólio do tabaco a contar do 1º de Janeiro de 1865, foi posto em praça publica o contrato pelo segundo se mestre de 1864, e arrematado por uma companhia, juntamente com o edifício, maquinas e utensílios da fabrica, por 1:410$500 reis. A companhia havia sido instalada em 1845, por, ordem do governo, no edifício do antigo convento de Xabregas. Ao princípio foi este monopólio arrendado sem concorrência. Depois introduziu-se o uso de se dar em arrematação em praça pública a quem oferecesse maior lanço, para o que se organizavam companhias de capitalistas."

Estado
é uma instituição organizada politicamente, socialmente e juridicamente, ocupando um território definido, normalmente onde a lei máxima é uma Constituição escrita, e dirigida por um governo que possui soberania reconhecida tanto interna como externamente. Um Estado soberano é sintetizado pela máxima "Um governo, um povo, um território". O Estado é responsável pela organização e pelo controle social, pois detém, segundo Max Weber, o monopólio legítimo do uso da força (coerção, especialmente a legal).
Pasted from <http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado>

"A origem da palavra sociedade vem do latim societas, uma "associação amistosa com outros". Societas é derivado de socius, que significa "companheiro", e assim o significado de sociedade é intimamente relacionado àquilo que é social. Está implícito no significado de sociedade que seus membros compartilham interesse ou preocupação mútuas sobre um objectivo comum. Como tal, sociedade é muitas vezes usado como sinonimo para o colectivo de cidadãos de um país governados por instituições nacionais que lidam com o bem-estar cívico."
Pasted from <
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade>

Posto isto, e como o título do post remete para a hipocrisia, convém também falar sobre ela, de preferência no contexto em que se insere o tema do post, ou seja, o terreno politico-social. Aconselho por isso a leitura deste artigo: Reflexões Sobre a Natureza do Poder Politico: O Problema da Hipocrisia de onde cito apenas este pequeno excerto:

"A tendência à burocratização do Estado e da empresa capitalista e o processo
de secularização - apontados por Weber - correspondem ao avanço da razão instrumental que resulta na perda da liberdade do homem. A eficiência e o êxito
desejados tornam-se quiméricos, uma vez que os meios adoptados pela razão instrumental não são orientados por princípios éticos. A lógica cega da burocracia e razão racionalista cientifica produzem grandes irracionalismos, extremamente perigosos aos homens, como as grandes armas de aniquilação que podem destruir o planeta."


E já que a existência do Estado pressupõe uma Constituição, espreitemos a nossa:

"
Artigo 60.º (Direitos dos consumidores)
1. Os consumidores têm direito à qualidade dos bens e serviços consumidos, à formação e à informação, à protecção da saúde, da segurança e dos seus interesses económicos, bem como à reparação de danos."
Falando em Direitos do Consumidor, vamos a eles:

"CAPÍTULO II
Direitos do consumidor
Artigo 3.º
Direitos do consumidor

O consumidor tem direito:
a) À qualidade dos bens e serviços;
b) À protecção da saúde e da segurança física;


Artigo 5.º
Direito à protecção da saúde e da segurança física

1-
É proibido o fornecimento de bens ou a prestação de serviços que, em condições de uso normal ou previsível, incluindo a duração, impliquem riscos incompatíveis com a sua utilização, não aceitáveis de acordo com um nível elevado de protecção da saúde e da segurança física das pessoas.

2- Os serviços da Administração Pública que, no exercício das suas funções, tenham conhecimento da existência de bens ou serviços proibidos nos termos do número anterior devem notificar tal facto às entidades competentes para a fiscalização do mercado.

3- Os organismos competentes da Administração Pública devem mandar apreender e retirar do mercado os bens a interditar as prestações de serviços que impliquem perigo para a saúde ou segurança física dos consumidores, quando utilizados em condições normais ou razoavelmente previsíveis."
Pasted from <
http://www.verbojuridico.net/legisl/1990x/l96_024.html>


No post anterior apresentei uma artigo sobre a dependência química provocada pela nicotina. Mas talvez não tenha sido suficiente. Por isso, apresento-vos agora um estudo clínico que compara os níveis de dependência de várias drogas, entre as quais a nicotina. Vejam aqui


CONCLUSÃO:

O tabaco mata! e quando não mata mói!
Logo, não é um bem de qualidade,
Nem faz bem à saúde antes pelo contrário,
A nicotina é uma droga,
Considerada aquela que causa maior grau de dependência física e psíquica,
A dependência faz aumentar o seu consumo,
Os Estados (do mundo inteiro), os mesmos que assumem poderes de protecção dos seus cidadão sabem disto através da Organização Mundial de Saúde,
As tabaqueiras fazem de tudo para aumentar a dependência do tabaco. É noticia de jornal.
A maioria dos fumadores quer deixar de fumar mas não consegue,
Ao contrário dos tóxico-dependentes de drogas duras, os fumadores não podem "fugir" das zonas da droga porque ela está em todo o lado e é legal,
Os Estados alertam para os perigos mas continuam a arrecadar o chorudo imposto,
Os que ainda são jovens podem beneficiar dos alertas e da proibição da publicidade e de fumar em espaços públicos, para não começarem a fumar,
Mas aqueles que começaram há décadas atrás, quando fumar era promovido como um hábito de gente com estilo e actores de cinema, esses, agora estão presos na armadilha do vício. Para eles de pouco ou nada servem os rótulos ou mesmo as imagens assustadoras.


Que nome se dá a um Estado e a uma Sociedade que defendem tudo quanto são direitos dos indivíduos e simultaneamente fabricam um produto para consumo humano, com o aviso "ISTO MATA"?


Seria mais honesto matarem-me com um tiro no peito!


Para os interessados, um livro:"O Cigarro"


"Este livro tem uma ambição prosaica: tenta resumir a história do cigarro com base nos conflitos entre a ciência e a indústria, entre o prazer e o risco. Parte de fatos recentíssimos (a revelação de milhares de documentos secretos dos fabricantes de cigarros nos EUA a partir dos anos 90, documentos estes praticamente desconhecidos no Brasil), passeia pelos 40 anos de mentira da indústria, retrata como nosso país entrou nessa briga, mostra que o antitabagismo tem 500 anos e discute qual o futuro da droga que, ao lado da cafeína, é a mais popular da história - ela seduz um quinto do planeta e tem vendas de US$ 300 bilhões por ano. "

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Tabaco - A Maior Hipocrisia I

Começo este post por assumir que sou fumadora. Um vício que dispensaria de bom grado (e não me venham falar de força de vontade!...)

Mas este post não é sobre mim, é sobre o tabaco.

É uma droga, todos sabemos; cria elevada dependência física e psicológica, também sabemos; provoca todo o tipo de doenças e em muitos casos leva à morte, são dados adquiridos.

Então que raio de sociedade é a nossa que continua a vender livremente um produto para consumo humano, em cujos rótulos se lê : MATA!

O que é que o estado faz em relação ao tabaco?

1 - Arrecada 80% do seu valor através do imposto do tabaco!
2 - Proíbe a publicidade ao tabaco
3 - Investe em campanhas anti-tabagismo
4 - Insere nos maços de tabaco fases como: FUMAR MATA e outras igualmente assustadoras
5 - Proíbe a venda a menores de 16 anos
6 - Cria legislação no sentido de defender os não fumadores

Meus amigos, não estamos a falar da venda de um kit-suicido que só compra quem se quer mesmo suicidar e por isso lá está o aviso: MATA!, não, estamos a falar de um produto que causa dependência a partir do primeiro cigarro e que vai matando lentamente depois de o incauto já estar preso nas malhas da nicotina!

Vejam este
artigo baseado numa notícia do "El País" onde se pode ler : "Os cigarros são uma obra de engenharia para aumentar a dependência".

Não basta ser prejudicial, não basta ser uma das principais causas de morte, não, ainda é preciso estratagemas para aumentar a
dependência e escravizar o fumador! E ninguém se manifesta? Ninguém diz nada? Esta coisa dos brandos costumes começa a mexer-me com os nervos!...

Para quem não sabe, eis como actua a
nicotina.

Mas dirão alguns: - Ok, é mau mas o estado lá vai arrecadando uns trocos à conta deste negócio!

Será que o estado de facto ganha alguma coisa? Então e o que o estado perde:

1 - A montante : nas campanhas de prevenção

2 - A jusante: em tratamentos hospitalares, medicamentos, subsídios de incapacidade para o trabalho, absentismo laboral...

Já alguém fez estas contas? Será que alguém as quer fazer?...


(e de acordo com este artigo parece que não sou a única a pensar assim...)

E dizem outros: - mas não se pode acabar com o tabaco assim de repente, são inúmeros postos de trabalho em causa!

E digo eu: - ai sim? só o facto de produzirem um produto que MATA deveria ser suficiente para começarem à procura de emprego noutro lado!

Mas então o que é que se produziria no lugar do tabaco? - Não faço a mínima ideia mas aceitam-se sugestões. Sejam criativos!


E para terminar, "la piece de resistance". Vejam este folheto extraído de um maço de Marlboro.




quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

BookCrossing

foto residente no site:migmeg.com.br


Eu adoro livros. Sou do tipo de pessoa que considera um livro como um amigo, que nos faz confidências e nos transporta para novos mundos, novas descobertas e aprendizagens.



Gosto do cheiro dos livros, de os folhear e quando acabo de ler o meu mais recente "amigo", gosto de o colocar na estante ao lado dos outros.



Tenho por isso uma relação muito física com os livros. Mas isto tem vindo a mudar...



O ano passado lá no emprego foi organizada uma acção de recolha de livros para instituições prisionais e de solidariedade. Participei com dois enormes sacos de livros e afinal, nem doeu nada!



Depois veio o BookCrossing e aderi... (mais informações adiante).
Ou seja, descobri o prazer de partilhar livros em lugar de os manter egoisticamente emprateleirados.
Vou guardando apenas aqueles que de tão sublinhados e de tantas anotações nas margens, já não são partilháveis :)
Devo dizer que é uma boa sensação, esta de guardar do livro apenas o seu conteúdo.
Para quem não conhece o conceito de bookcrossing e tem curiosidade, digo-vos em linhas gerais como funciona:


1- Decidimos qual o livro que queremos libertar

2 - Vamos ao site e registamo-nos

3 - Registamos o livro e damos-lhe uma pontuação (também podemos incluir um comentário ou resumo do livro)

4 - Imprimimos as etiquetas que o site disponibiliza

5 - Colamos as etiquetas no livro

6 - No espaço em branco da etiqueta escrevemos o numero que o site atribuiu ao nosso livro

7 - Deixamos o livro num espaço publico (jardim, café, biblioteca...)

8 - Voltamos ao site para informar o local onde o deixámos

9 - A partir daqui, com o número que lhe foi atribuido, podemos seguir-lhe o rasto

No site temos a possibilidade de pedir que nos enviem alertas para os livros libertados na nossa cidade e se nos interessar podemos ir lá resgatá-los.

Links uteis:

BookCrossing Portugal

Blog para bookcrossers


Como passei a receber por mail as novidades do BookCrossing, deixo aqui uma noticia que se refere a Portugal:

BOOKCROSSING NEWS

"Strawberries With Sugar -- BookCrossing Portuguese Style

Take a look at the number of Portuguese BookCrossers who have joined recently. The dramatic rise may be due in part to some recent television publicity we received, courtsey of Morangos com Açucar (Strawberries With Sugar). We're told that the Portuguese teen soap opera decided to show some of its cast finding a BookCrossing book and discovering the joy of BookCrossing. Viewers liked what they saw — there's been a 20-fold rise in membership in the days immediately following the broadcast. The episode aired on November 30 and BookCrossing even got a mention in the plot write up online for that day! Welcome to all our new members, whether they like their strawberries with sugar or plain!"

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Grãos de Areia...

foto residente no site:dominiosfantasticos.xpg.com.br


...é o que nós somos!


Basta ver estas FOTOS DO HUBBLE, que foram eleitas as 10 melhores.

Prestem atenção às descrições de cada foto.

Por exemplo a primeira, refere-se à Galáxia "Sombrero" que se encontra a 28 milhões de anos luz da Terra. Esta Galáxia tem "apenas" 800 biliões de sóis. Já imaginaram?...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Como Consertar o Mundo

foto residente no site: cienciahoje.pt


"Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava resolvido a encontrar meios de minorá-los. Passava dias e dias trancado em seu laboratório, em busca de respostas para suas dúvidas, tentando, a todo custo, criar fórmulas ou instrumentos que o ajudassem a consertar o mundo.


Certo dia, seu filho de sete anos invadiu o seu “santuário” decidido a ajudá-lo a trabalhar. O cientista, nervoso pela interrupção, tentou que o filho fosse brincar em outro local.
- Meu filho, aqui não existe nada para você fazer. Vá procurar seus amigos para brincar de qualquer coisa!
O garoto não desistiu: - Não quero brincar, eu quero ajudar você a consertar qualquer coisa!


Vendo que seria impossível demovê-lo da idéia, o pai começou a folhear uma revista que encontrou por perto, procurando algo que pudesse ser oferecido ao filho como objeto de sua atenção, por um período que fosse o mais longo possível. De repente, deparou com o mapa do mundo e achou o que procurava.
- Você gosta de quebra-cabeça? – perguntou ao filho. – Então eu vou lhe dar o mundo para você consertar.


Com o auxílio de uma tesoura, recortou o mundo em vários pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva transparente, entregou ao filho dizendo: - Aqui está o mundo todo quebrado. Veja se consegue consertar bem direitinho e me entregue somente quando estiver pronto. Faça tudo sozinho.


Na realidade, ele acreditava que a criança levaria algum tempo tentando e desistiria, por certo, indo procurar um brinquedo mais atraente em outro lugar.
Passadas algumas horas, duas ou três no máximo, ouviu a voz do filho que o chamava calmamente:
- Pai!... Pai!...
Levantou os olhos e disse:
- Filho, você deveria estar tentando consertar o mundo!
- Mas eu fiz tudo. Já consegui terminar tudinho! – respondeu o menino.


A princípio o pai não deu crédito às palavras do filho; seria humanamente impossível, na sua idade, ter conseguido recompor um mapa que, seguramente, jamais havia visto inteiro com detalhes.
Já lhe disse para fazer o seu trabalho e me deixar trabalhar sossegado, não disse? – respondeu um tanto irritado.
- Mas eu fiz, já fiz tudo, pai! Veja você mesmo!


- Relutante, o cientista levantou os olhos de suas anotações, certo de que iria ver um trabalho “digno de uma criança de sete anos”. Para sua surpresa, o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam sido colados nos seus devidos lugares.
- Eu já lhe disse que era para fazer o trabalho sozinho. Ninguém deveria lhe ajudar a consertar o mundo! – falou já zangado pela interrupção.


- Mas pai, eu fiz sozinho... – tentava se fazer ouvir a criança.
- Não minta, que é pior!
- Não estou mentindo, meu pai! Não estou mentindo!
- Como seria possível...? Como você seria capaz? Você não sabia como era o mundo, você não poderia consertar o mundo! – respondeu irritado.


Pai, está certo! Vou lhe contar como foi: eu não sabia como era o mundo, mas, quando você tirou o papel da revista para recortar, eu vi que, do outro lado, havia a figura de um homem. Quando você me deu o mundo quebrado para consertar, eu tentei, mas não consegui. Virei os recortes e comecei a consertar o homem que eu sabia como era; quando consegui consertar o homem, virei a folha e vi que havia consertado o mundo."


Autor desconhecido

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Venha o que vier...


Ainda a iniciar 2008... um pouco de Fernando Pessoa.

foto residente no site: escapadelas.com


(muito pequeno? 1 clique na foto et voilá!...)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Ano Novo

U2 - New Years Day


Todos os inícios de ano tem algo de mágico. A sensação de um novo começo e portanto de novas oportunidades. Sentimos a esperança renovada pelos 365 dias que se aproximam e fazemos votos. Lançamos desafios a nós próprios. Queremos recomeçar, não do zero, mas a partir de um ponto em que a experiência acumulada nos sirva de alicerce na construção de mais um ano.
(Porque sim, somos nós que o construimos. Somos nós que escolhemos cada reacção aos eventos de que somos personagem ou figurante.)

Nesse primeiro dia, é como se nos fosse dada a oportunidade de redireccionar caminhos e escolhas. Á nossa frente temos várias páginas em branco, de um calendário que aguarda as nossas indeléveis pegadas. Somos como uma criança, perante blocos de plasticina de várias cores, suspensa ante a responsabilidade do acto criativo.

E ainda assim, o tempo não parou. Tudo em redor se move numa incessante continuidade do que já conhecemos. Mas há uma espécie de silêncio - branco, cristalino - que se assemelha a um doce intervalo do tempo.

Que faremos nós deste Ano Novo? Seremos capazes de clarear os nossos dias? Seremos capazes de investir na nossa luminosidade interior e de a pulverizar à nossa volta?

É minha convicção que sim. Porque a musica que trago dentro não pode ser só minha.

Feliz 2008 ;)

domingo, 30 de dezembro de 2007

Precessão dos Equinócios - 2012

Estamos a entrar num novo ano:2008. Para muitos este será o ano 1 de um novo ciclo, já que em númerologia é de facto um ano 1 (2+0+0+8 = 10 = 1+0 = 1). Será também o inicio de um novo ciclo astrológico, com a entrada em Janeiro, de Plutão em Capricórnio, onde permanecerá até 2024. Mas sobre isto falarei num próximo post.

Falei de ciclos porque acredito que a Vida, o Universo se movem em ciclos, dentro de ciclos, dentro de ciclos e há concretamente um desses ciclos, com uma duração de cerca de 26.000 anos que está prestes a terminar e é sobre ele que pretendo falar neste post.


Muitos acreditam que o terminus deste ciclo de 26.000 anos acontecerá em 2012, apesar de nem todos estarem atentos a isso, há várias correntes que defendem que 2012 será um ano decisivo, para o bem ou para o mal, nos destinos do mundo. Muitos são os temas associados a 2012 mas o mais conhecido é o Calendário Maia que termina precisamente nesse ano. Em associação, fala-se também da Precessão dos Equinócios, que segundo alguns, atingirá um ponto culminante em 2012. Chamam-lhe alinhamento cósmico.

A propósito de tudo isto, deixo aqui uma entrevista com John Major Jenkins, um investigador desde há vários anos, do Calendário Maia.


Alf, se estiver por aí, diga de sua justiça. Era sobre isto que falava quando mencionei a Precessão dos Equinócios.


Author and Researcher John Major Jenkins joins us to discuss Mayan Cosmology, The Galactic Alignment, 2012 & The Mayan Calendar. Topics Discussed: How John’s Interest in the Mayan Calendar began, Mexico Mystique, Frank Waters, Hopi Documentary The Fifth Gate, Precession, the 26 000 Year Cycle (The Great Year), Hamlets Mill, Terrence McKenna (Invisible Landscape), the Milky Way & the Dark Rifts, Xibalba, The Mayan Ball Game, Chichen Itza (Kukulca), Tzab, Pleiades, The Significance of Sacrifice & Our World Today, Prophecy, 2012, The End of Time, Technology, and much more. Don’t miss out excellent Subscriber Interview with John Major Jenkins on Izapa, The Mayan Calendar and Pyramid of Fire.

OUVIR ENTREVISTA

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Sobreviver à Ciência


Não, não estamos no mês de "bater-na-ciência" mas vem a propósito.

Este é um LIVRO que descobri recentemente, da autoria de Jean-Jacques Salomon, editado pela "Instituto Piaget Editora".

Uma reflexão que merece ser lida e da qual deixo aqui a sinopse para abrir o apetite:


"Pode-se estabelecer um paralelo entre o século XVI e a nossa época do limiar do século XXI. O século XVI e o século XX assistiram a transformações, guerras e tumultos, e neles se jogou, além do destino da Europa, uma certa ideia do homem. Em ambos, houve uma procura de novas convicções, no primeiro, a transição da Idade Média para o Renascimento e, no segundo, a transição da idade da indústria para a civilização do imaterial, do virtual. De uma época para a outra, passou-se de um mundo onde a imagem de Deus era omnipresente para outro em que desapareceu a própria ideia de Deus; de uma crença numa vida para além da morte, para uma ausência de recurso para as injustiças ou os sofrimentos da vida, que a fé na ciência tenta em vão substituir. Esta religião da ciência e do progresso, que surgiu com a revolução industrial, desenvolveu-se principalmente a partir da Segunda Guerra Mundial. A partir desta altura houve uma mudança considerável do estatuto do cientista. Até então os sábios (como eram chamados) viviam numa espécie de torre de marfim, trabalhando em pesquisas «puras», cujas aplicações não lhes diziam respeito. [...] Estamos no fim de uma época, mas não no fim da história. A ciência aumentou sem dúvida o bem-estar pelo menos de uma parte da humanidade, mas ao mesmo tempo cava-se um fosso cada vez maior entre países ricos e países pobres e entre populações dentro de um mesmo país. É preciso criar um mundo novo, um mundo em que a procura do bem-estar social (isto é, para toda a sociedade) se sobreponha à ideologia do progresso custe-o-que-custar e às miragens por ela fabricadas. Sobreviver à ciência é voltar a um humanismo guiado pelo princípio de precaução, que nos permita afrontar o novo século XXI como se este fosse um novo Renascimento."

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Saúde Integral IV



Apontamentos Finais II


3 – Em jeito de conclusão, devo dizer que, como sou optimista por natureza, tenho esperança de que a necessária mudança de paradigma nas ciências médicas acabe por se concretizar mais cedo ou mais tarde. Temo que seja mais tarde, sobretudo entre nós neste cantinho da Europa, e temo ainda que até lá se enveredem por caminhos em zigue-zague, numa tentativa de fugir ao destino, que pode ser ainda mais nefasta do que a situação actual. Mas sobre o futuro apenas podemos especular...


4 – Há no entanto algo que podemos fazer, que já aqui foi referido, e muito bem, nos comentários ao primeiro post. Falo da auto-responsabilização pela nossa saúde. Neste sentido parece-me que assumirmos total responsabilidade pela nossa consciência seria um bom começo. Já ouviram falar no sistema do “Corpo-Espelho”?

Este sistema foi criado por Sir Martin Brofman. Segundo a sua teoria, baseada essencialmente nas filosofias orientais, qualquer sintoma de uma doença começa na nossa consciência vindo posteriormente a manifestar-se no corpo físico. Ou seja, Sir Martin defende que toda a doença é o reflexo de um mau uso da nossa consciência e que para invertermos a situação deveríamos começar por analisar a forma como pensamos, agimos, julgamos e nos relacionamos connosco próprios, com os outros e com o mundo. Feito isto, e detectada a “falha”, bastaria corrigi-la alterando padrões negativos de pensamento, julgamento e comportamento. Que tal vos parece isto quanto a responsabilização?
Podem ver AQUI mais informação a respeito de Sir Martin Brofman e do seu próprio processo de cura de uma doença supostamente terminal.


5 – Como aqui falei também na saúde espiritual, parte indissociável de uma saúde integral, não poderia terminar sem voltar a ela. É de referir a este respeito a Ajuda Espiritual nos Hospitais, componente que considero bastante importante no apoio ao doente.


6 – De volta ao principio: somos muito mais que um conjunto de órgãos articulados entre si e há muitas terapias, umas mais recentes outras milenares, a merecerem uma investigação cuidada em lugar do cepticismo autista que pura e simplesmente se recusa a olhar noutras direcções, como se a vida fosse uma rua estreita de sentido único e obrigatório.