Mostrando postagens com marcador Coisas da Alma. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Coisas da Alma. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A vida é uma viagem que inclui a travessia do deserto!



Esta não é uma viagem turística. Não serve apenas para apreciar a paisagem e poder dizer-se: - "eu já lá estive". Não, esta é uma viagem em que somos "amassados" como farinha - e assim tem de ser para que um dia possamos tornar-nos no pão que dá vida.

É uma viagem que se faz caminhando mas também sentindo, cheirando, vendo, observando, pensando, examinando, aprendendo, crescendo....

Não é uma viagem exclusiva do corpo que é o nosso "veículo", mas de tudo aquilo de que somos feitos: - físico, emocional, mental e espiritual. Levar na viagem apenas uma parte de nós é fazê-la pela metade, é ignorar os componentes menos visíveis, mas nem por isso menos importantes, do nosso Ser.

É também uma viagem de partilha em que, pelo caminho, vamos tocando e sendo tocados por aqueles com quem nos cruzamos.

Assim vamos tecendo e entrelaçando os fios com que construímos a tapeçaria dos nossos dias. E ela é feita do pulsar constante de vários ritmos diferentes que se tocam e se transformam mutuamente.      

A viagem só faz sentido se a fizermos "inteiros" e leves, levando apenas a bagagem estritamente necessária e libertando-nos consecutivamente de pesos excessivos que podem já ter cumprido a sua função mas que já não nos fazem falta. Fazer tudo como extensões de nós próprios, respeitando-nos a cada passo, a cada escolha, a cada opinião, a cada decisão. Para o fazermos, o mais importante é conhecermo-nos, mergulhando bem fundo no fundo de quem nós somos e ter a capacidade de amar cada pedacinho de nós. Só então podemos partilhar com outros a experiência da nossa própria viagem.

Ao longo dos últimos anos, a minha viagem tem sido uma verdadeira "travessia do deserto", no sentido em que fiquei sózinha comigo mesma. Só eu e o Universo. Ainda assim houve diálogo, houve comunicação e aprendizagem mas de um modo austero, muitas vezes duro e quase sempre difícil. 
Quando não temos por perto outros em quem nos perder, com quem nos comparar, a quem imitar, aí sim, ficamos apenas com quem nos habita  - o nosso "Eu", e essa é a verdadeira "prova do deserto" pois não há qualquer possibilidade de fuga ou evasão. Não há adorno ou adereço que nos afaste de quem nós somos.

Aqui, fui confrontada com o meu lado mais frágil, mais denso, mais negro, mais obscuro mas também com o mais alegre, vivo, vibrante e luminoso. Prova dura esta pois tudo isto faz parte de mim. A grande dificuldade reside sempre na rendição. Na necessidade de aceitar, abraçar e integrar também o lado nocturno e subterrâneo do nosso Ser.

Nesta como em qualquer viagem há momentos. Momentos perfeitos e sublimes e momentos desconfortáveis, angustiantes, de tédio, de cansaço e de desespero. A viagem não é uma pintura bela e estática para sempre emoldurada. É uma obra sempre em movimento e sempre inacabada, feita de múltiplas cores que se mesclam e se conjugam de um modo dinâmico e progressivo.

O que eu descobri porém, neste processo, foi absolutamente mágico!

Descobri que no terreno mais árido e inóspito podem germinar as mais belas flores. Descobri que por mais denso que seja o deserto em que nos encontramos, no fundo de cada um de nós há um fluxo de água pura, viva e cristalina, prontinho para fazer germinar as sementes mais belas.

Mas para chegar a este "oásis" há que percorrer um caminho de pedras, de lama e de tempestades demolidoras.

Também eu quis evitar este caminho e andar apenas sobre pétalas de rosas. Mas essa opção, apesar de muito atraente e sedutora não é a mais rica, nem a que no fim nos trará as melhores recompensas.

Caminhar sobre pedras, paus e espinhos, exige coragem, força, determinação. Exige virarmo-nos do avesso e enfrentar o que lá está. Ás vezes tropeçamos, caímos e bradamos aos céus - "eu não aguento!"  mas é aí que percebemos um valor que todos possuímos mas que nem sempre conhecemos. 

Quando aceitamos fazer o caminho mais duro e mais longo, enfrentamos os nossos medos, limamos arestas e encontramos a nossa força interior. Só ela nos pode resgatar à falta de confiança em nós próprios e num poder Superior. 

É neste caminho que somos devolvidos à nossa "essência". Por isso, fazer a "travessia do deserto" é "ir ao fundo e voltar" e quando se volta já não se é o mesmo. Tudo à nossa volta pode permanecer igual mas nós fomos transformados para sempre.

Sou profundamente apaixonada por esta Viagem que é a vida e abraço com carinho todas as lições que ela me traz.


"pedras no caminho? - guardo todas, um dia vou construir um castelo" 

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Fragmentos

foto residente no blog andrewssouza.blogspot.com

Fragmentos do que somos e do que gostaríamos de ser. Somos fragmentos dispersos que se ligam por ténues linhas agregadoras. O que não está ao nosso alcance é sempre o que mais buscamos no intimo das nossas ambições. Vamos além. Muitas vezes vamos além do que nos é humanamente possível e isso corrói-nos as forças e a vontade. A esperança sempre nos visita por vezes de modo tímido mas é ela que nos sustenta por dentro, para não nos deixar moribundos, num mundo cada vez mais incerto e caótico. Eu acredito que ainda é possível a dança do riso, apesar de ela por vezes se me afigurar vã, mas há que ir em frente e acalentar sonhos e esperanças de peito aberto.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Descascando a Cebola

Diz-se que nos assemelhamos a uma cebola, cujo centro se encontra envolvido por camadas e camadas de protecção. Significaria isto que quando interagimos com o outro o fazemos através da nossa “casca” exterior. Será esta a explicação para o facto de estabelecermos relações superficiais? Relações em que nos tocamos ao nível das nossas “cascas” mas nunca, ou raramente, ao nível dos nossos “centros”? Será o “factor cebola” – como resolvi chamar-lhe, que nos impede de uma verdadeira intimidade com o outro? Não, não estou a falar desse tipo de intimidade. Acho até que o sexo é muitas vezes usado para fingir a existência de verdadeira intimidade. Claro que o sexo implica uma boa dose de intimidade física mas eu falo da outra, da intimidade emocional. Aquela em que, para além do corpo, são as próprias almas que se tocam. Alguns de nós, em algum momento das nossas vidas, já fomos abençoados com essa maravilhosa experiência. Descrevemo-la como uma emoção profunda e inexplicável. Sabemos que é possível, sabemos que existe e sabemos mais: sabemos que as nossas “cascas” podem ter diferentes cores, texturas, aparências mas o núcleo, o centro, a essência que habita em cada um de nós, essa é universal. Sabemos tudo isto mas ainda temos medo. Camadas e camadas de medo acumulado na nossa memória celular. Assim, vamos mantendo o nosso núcleo o mais escondido possível (até de nós próprios muitas vezes). É uma defesa, claro mas será útil? Talvez o tenha sido no passado mas continuará a sê-lo? O que aconteceria se todos, ainda que de modo gradual, fossemos descascando as nossas “camadas” de medo, que se manifestam sob a forma de arrogância, prepotência, frieza, superioridade, indiferença ou manipulação, revelando ao mundo a nossa verdadeira natureza? Como seriam então as relações entre parceiros, amigos, familiares, países...? Como seria?

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

A Dor


Vivemos num mundo de opostos: o dia e a noite, a chuva e o sol, o bem e o mal e assim por diante; mas todos procuramos o lado bom da vida. Fomos ensinados assim, a viver sempre na expectativa do melhor e a celebrar os momentos risonhos com pompa e circunstância. Mas então e a dor? Ninguém nos ensinou a celebrar a dor. Melhor dito, ninguém nos ensinou a processar a dor, a passar por ela, a aprender com ela e finalmente a ultrapassá-la. Assim, como não sabemos o que fazer com ela, regra geral, disfarçamo-la.
Serve quase tudo desde rir, ir ao cinema, ir às compras, ir a uma festa...enfim, tudo menos sentir a dor, ouvi-la e perceber o que ela nos pede.
Perdemos deste modo muitas oportunidades de saber o que a dor tem para nos dar.
Do meu ponto de vista a dor tem inúmeras funções, nomeadamente, devolver-nos à nossa condição essencial de seres humanos, fazendo-nos encarar e aceitar as nossas fragilidades. Não creio, contudo, que passar pela dor seja obrigatoriamente sinónimo de sofrimento e auto-comiseração, pelo contrário, acho que é uma forma de promovermos o auto-respeito e o senso de humildade. Acredito ainda, que se aprendêssemos finalmente a vivênciar a dor, não como uma coisa má mas como algo que faz parte da experiência de vida de todos nós, haveria certamente maior sinceridade, abertura e compaixão nas relações humanas.
Enquanto tal não acontece, vivemos numa sociedade onde a dor cresce amordaçada. Não é pois de admirar que de vez em quando, a dor de alguém, inteira e nunca tratada, rebente como um grito calado por muito tempo, sob a forma de tiroteio, suicídio ou ataque de coração.
Dar atenção à dor não é preservá-la, é antes dar-lhe sentido e usá-la em nosso favor para que nos conduza até às nossas feridas mais profundas, pois só indo lá, onde dói, poderemos promover a cura.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

O Preço da Paixão

Ela era apaixonada, vibrante, misteriosa e intensa. Tudo na sua vida tinha cor, ritmo, musicalidade e muita, muita intensidade. No seu abraço pequenino envolvia o mundo inteiro. Um mundo que amava com o coração a saltar do peito.
Era assim a nossa pequena Julia.
Quando conheci a Julia quis ser como ela, ter aquela felicidade estampada no rosto, aquele brilho nos olhos e o sorriso a condizer. Pouco depois a Julia morreu, ainda jovem, num terrivel acidente.
Por vezes dou por mim a pensar, qual seria o segredo de Julia, e se ainda estaria viva, se tivesse bebido da vida em goles mais pequenos.
Outras vezes penso, que a Julia na verdade não morreu.