sábado, 15 de dezembro de 2007

Saúde Integral II

foto residente no blog holosgaia.blogspot.com


A Saúde Integral é muito mais do que a mera “ausência de doença”. É antes um estado de Ser equilibrado e harmonioso que se manifesta dentro e fora do corpo humano e na sua relação com o mundo. O estado natural do corpo é o da saúde, a doença ocorre quando esse estado de equilíbrio é perturbado. Seria portanto de esperar que quando sofremos de uma maleita ocasional, nos fosse diagnosticada e tratada, não apenas a doença mas também, e sobretudo, a origem do desequilíbrio que potenciou a doença.


Curar é mais do que “matar a doença”, curar é devolver o corpo ao seu equilíbrio natural, potenciando a saúde. A ciência médica fica muitas vezes aquém deste resultado, por se concentrar excessivamente no COMBATE à doença e pouco no AMOR à saúde.


Viram a diferença? Todo o combate é agressivo e tem consequências, ainda que nos salve a vida.
Na medicina convencional quase tudo é agressivo desde os métodos de diagnóstico aos medicamentos sintéticos e artificiais e claro às cirurgias.


Ora, os nossos amigos brasileiros, que nestas coisas nos ganham aos pontos, há muito que já perceberam isto, querem ver? Então leiam este ARTIGO que vale a pena!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Saúde Integral I


Em Ciência, a dúvida é um método importante e que não deve ser desprezado. Já me faz bastante mais confusão quando se insiste na duvida permanente, ou pior, nas certezas inquestionáveis. Isto vem a propósito de uma discussão num outro blog, onde as terapias naturais têm vindo a ser apresentadas como não produzindo quaisquer resultados, sendo as curas que prometem meramente ilusórias.

Vamos por partes, há charlatães, isso todos sabemos, mas eles existem nas terapias alternativas como existem em todas as áreas económicas, sociais, politicas e até na área da medicina convencional.

Os argumentos a favor das terapias alternativas giram, invariavelmente, à volta do mesmo, a saber, elas oferecem métodos de diagnóstico e de tratamento pouco invasivos, ao contrário da medicina tradicional, e na sua grande maioria, consideram o ser humano de um ponto de vista holistico, ou seja, como um todo integrado, valorizando as relações mente/corpo/espírito, coisa que a medicina tradicional, salvo raras excepções (que apenas confirmam a regra), não faz.

Em abono da verdade, quando vamos ao médico, regra geral somos tratados, mas apenas daquele sintoma específico. Mais tarde voltamos com uma queixa diferente e somos de novo tratados do sintoma específico e assim sucessivamente. É uma visão meramente mecanicista. (Agora introduzindo um pouco de humor, ao qual não resisto, se quiséssemos ser tratados por mecânicos íamos directamente à oficina, não vos parece!)

Brincadeiras à parte, é óbvio que ir ao médico e fazer exames regularmente é fundamental, também é óbvio que muitas doenças pela sua gravidade não dispensam um tratamento clínico convencional. Não estou portanto, nem por sombras, a defender o abandono da medicina tradicional. No entanto, nada disto invalida o que foi dito antes. Ou seja, nós não somos apenas o nosso corpo e muito menos partes isoladas do mesmo. Se o corpo é o nosso veículo natural ele requer um condutor (mente/espírito) e esse condutor tem uma relação directa com as avarias (doenças) do veículo (corpo).

A mente e o espírito têm muito mais poder sobre nós do que possamos pensar. Acredito (e isto é apenas a minha crença pessoal, cada um tirará para si as suas melhores conclusões) que sentimentos de raiva, ódio, inveja, rancor, vingança, insatisfação, humilhação, discriminação, angustia, para nomear apenas alguns, se forem persistentes, mais cedo ou mais tarde acabam por se manifestar fisicamente sob a forma de doenças. Do mesmo modo, acredito também no inverso, que os sentimentos positivos se manifestam positivamente no nosso bem-estar e saúde geral.

Ora, muitas terapias alternativas exploram precisamente esta relação entre as emoções e o seu reflexo físico, e ao contrário da medicina convencional, “tratam o doente não a doença”. É isto que atrai as pessoas e as leva a adoptar terapias alternativas em complemento da medicina tradicional. E sim, produzem-se resultados.

Vou continuar este tema nos próximos post’s mas para já, deixo-vos aqui um exemplo do que acabo de dizer, dirigido sobretudo aos que não acreditam na "energia vital".

sábado, 8 de dezembro de 2007

OVNIS Part II

Bom, no seguimento do último post, pediram-me para colocar aqui umas imagens de OVNIS, mas como eles não existem, e à falta de melhor, restam-me umas imagens do Rato Mickey, divirtam-se!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Os OVNIS existem?

Tó - Acreditas em Ovnis?
Zé - Claro que não!
Tó - Porquê?
Zé - Porque nunca vi nenhum!

Tó - Acreditas em átomos?
Zé - Claro que sim.
Tó - Porquê, já viste algum?
Zé - Não, mas muitas pessoas já viram.


Acreditar no que não é explicável pela ciência ou pela razão é complicado nos dias que correm. É quase como passar a si próprio um atestado de loucura. O que faz sentido e tem lógica é acreditar que o Universo surgiu por acaso, que a realidade é exclusivamente constituída pelo que podemos observar e que somos os únicos habitantes de um Universo constituído por milhões de galáxias. Claro que, ainda que existisse vida noutros planetas, não poderia ser mais inteligente que nós ou possuir tecnologia mais avançada. Isso não cabe na cabeça de ninguém. Se nós só usamos 10% do cérebro é porque os outros 90% não podem ser usados e pronto. Agora virem dizer que podem existir outros povos com capacidades superiores às nossas? Isso nunca! Onde é que já se viu? Querem ver que iríamos ser ensinados por eles e não o contrário?! Que todo o nosso conhecimento e instrumentos de repente seriam obsoletos? Que muito do que temos como certezas afinal não corresponderia à verdade? Que a nossa ciência, medicina e tecnologia de ponta afinal seriam arcaicas? Que a forma como nos organizamos, fazemos politica e gerimos recursos seria considerada disfuncional e pouco inteligente? Não, definitivamente os Ovnis NÃO PODEM existir, assunto encerrado.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Um outro mundo… é possível!

"Um outro mundo… é possível!

Colóquio em torno da obra do Prof. Joseph Stiglitz

SEXTA-FEIRA, 30 NOVEMBRO 15h SALÃO NOBRE DA REITORIA DA UNIVERSIDADE DE LISBOA

O colóquio realizar-se-á em torno da obra de Joseph Stiglitz, Prémio Nobel da Economia em 2001. A sessão inaugural será presidida por Eurico Figueiredo e a sessão de encerramento por Fernando Condesso.

Organizado pela Cooperativa Cultural Contraponto – cujo objectivo consiste em promover a reflexão, a investigação e a difusão sobre questões emergentes a nível global e na sociedade portuguesa, com impacto marcante a médio prazo – o colóquio visa contribuir para um debate aberto sobre o tema da “Globalização e Equidade”, tendo como base de reflexão os trabalhos inovadores do Prof. Stiglitz, da Universidade de Columbia e, em particular, a sua obra “Making Globalization Work” (2006).

O conteúdo desta conferência será publicado no N.º 1 da revista Contraponto.


Conferencistas
Dr. Jorge Sampaio
Dr. Miguel Saint Aubyn
Dr. Francisco Louçã
Dr. Almeida Santos

Comentadores
Dr.ª Teodora Cardoso
Dr. Nuno Ramos de Almeida
Arq.ª Helena Roseta
Dr. Eduardo Paz Ferreira


Entrada livre, sujeita à lotação da sala"

Texto extraído do convite recebido da Reitoria da Universidade de Lisboa
Organização e Informações
Cooperativa Cultural Contraponto
Rua Braancamp, 52, 9º Direito, 1250-051 Lisboa
Tel.: +351 213 863 980

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Christmas = Shopping?...

foto residente no blog toobusylivinglife.blogspot.com

Estamos em Novembro e a agitação está aí: é quase Natal!
Os Centros Comerciais usam os seus tradicionais enfeites natalícios;
As ruas engalanadas de luz e cor, projectam estrelas, anjos e azevinhos;
Os fins-de-semana levam rios de gente a desaguar nas lojas vestidas de Natal;
O mundo inteiro parece convergir num único sentido, carregando sacos, pacotes e laçarotes.

Todos os anos hesito antes de mergulhar na multidão acotovelada na cansativa busca da prenda ideal, mas todos os anos lá estou eu, como que levada por uma força misteriosa, que me puxa para cumprir um desígnio superior a mim. Pois este ano resisto! Finco os pés no chão e não me permito ser levada na enxurrada.

Que me perdoem os que não vão receber uma prenda minha este Natal, mas decidi não impor a mim própria a “tortura” das compras natalícias.

Gosto muito de dar mas será preciso todo este turbilhão para demonstrar a alguém que o apreciamos, que o lembramos, que conta com o nosso amor? Perdoem o cliché radiofónico mas… “Valeria a pena pensar nisto!”

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Que Futuro?

No próximo dia 26 de Novembro, segunda-feira, às 18 horas, no El Corte Inglês, em Lisboa Sala de Âmbito Cultural (piso 7), decorrerá a apresentação do livro "Que Futuro? – Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento e Ambiente", de Filipe Duarte Santos (Gradiva). Para os interessados aqui fica o resumo da obra e a biografia do autor.


Resumo da Obra:

Que Futuro? - Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento e Ambiente aborda os principais desafios enfrentados actualmente pelo desenvolvimento social e económico, no contexto das mudanças globais no século XXI. Assim, apresenta uma análise pormenorizada das questões relacionadas com as alterações climáticas, a dependência dos combustíveis fósseis, a desflorestação, a perda de biodiversidade, a desertificação, a poluição do ar, da água, dos solos e dos oceanos, ao mesmo tempo que trata aspectos relativos aos problemas de superpovoamento, pobreza, injustiças sociais e económicas e conflitualidade.
A ênfase é colocada nas incertezas e nos riscos do futuro a curto prazo, nos próximos cinquenta a cem anos, no que respeita à degradação ambiental e à sustentabilidade do actual paradigma de crescimento.
Depois de analisados os discursos sobre o desenvolvimento e o ambiente – desde o prometaico e o da modernização ecológica aos mais radicais – defende-se que o discurso mais promissor para o futuro é o do desenvolvimento sustentável, embora a sua implementação nos últimos trinta anos esteja ainda muito longe do desejável.
Um grande livro escrito por um cientista português, reconhecido internacionalmente como um dos mais reputados especialistas mundiais nas matérias.


Biografia:

Filipe Duarte Santos é professor catedrático de Física na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Desde a década de 1980 dedica-se sobretudo à investigação nas Ciências do Ambiente e em especial às Mudanças Globais e Alterações Climáticas. É professor convidado de várias universidades prestigiadas dos Estados Unidos da América e da Europa. Com cerca de cento e vinte artigos científicos publicados, coordenou a redacção do primeiro e único Livro Branco sobre o Estado do Ambiente em Portugal, publicado em 1991. Integra desde 1998 o Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável e é membro efectivo da Academia das Ciências de Lisboa. É gestor da área de Desenvolvimento Sustentável do Programa Ibero-Americano CYTED – Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento.


Texto extraído do convite recebido da Reitoria da Universidade de Lisboa
Divisão de Actividades Culturais e Imagem da DSRE
Sítio: http://www.ul.pt/

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Mentes Brilhantes



Urville é a maior cidade (imaginária) da Europa com cerca de 12 milhões de habitantes e o seu "arquitecto", GillesTréhin, é autista. Desde os 12 anos que desenha compulsivamente. Estes são alguns dos seus mais recentes desenhos.


Mais informações sobre o autismo e as suas manifestações de sobredotação
aqui onde podem ser encontrados outros casos semelhantes.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Lado Esquerdo/Lado Direito


Clica na bailarina. Em que sentido está a girar?

Quem vê a bailarina a girar no sentido dos ponteiros do relógio está a usar mais o lado direito do cérebro, quem a vê girar no sentido inverso está a usar mais o lado esquerdo.


No meu caso, para quem me conhece, já sabe que a vejo como se fosse o próprio ponteiro do relógio. Quer dizer, quase sempre... :)

Testem com os vossos amigos, é giro!


Podem ver a noticia completa aqui

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Descascando a Cebola

Diz-se que nos assemelhamos a uma cebola, cujo centro se encontra envolvido por camadas e camadas de protecção. Significaria isto que quando interagimos com o outro o fazemos através da nossa “casca” exterior. Será esta a explicação para o facto de estabelecermos relações superficiais? Relações em que nos tocamos ao nível das nossas “cascas” mas nunca, ou raramente, ao nível dos nossos “centros”? Será o “factor cebola” – como resolvi chamar-lhe, que nos impede de uma verdadeira intimidade com o outro? Não, não estou a falar desse tipo de intimidade. Acho até que o sexo é muitas vezes usado para fingir a existência de verdadeira intimidade. Claro que o sexo implica uma boa dose de intimidade física mas eu falo da outra, da intimidade emocional. Aquela em que, para além do corpo, são as próprias almas que se tocam. Alguns de nós, em algum momento das nossas vidas, já fomos abençoados com essa maravilhosa experiência. Descrevemo-la como uma emoção profunda e inexplicável. Sabemos que é possível, sabemos que existe e sabemos mais: sabemos que as nossas “cascas” podem ter diferentes cores, texturas, aparências mas o núcleo, o centro, a essência que habita em cada um de nós, essa é universal. Sabemos tudo isto mas ainda temos medo. Camadas e camadas de medo acumulado na nossa memória celular. Assim, vamos mantendo o nosso núcleo o mais escondido possível (até de nós próprios muitas vezes). É uma defesa, claro mas será útil? Talvez o tenha sido no passado mas continuará a sê-lo? O que aconteceria se todos, ainda que de modo gradual, fossemos descascando as nossas “camadas” de medo, que se manifestam sob a forma de arrogância, prepotência, frieza, superioridade, indiferença ou manipulação, revelando ao mundo a nossa verdadeira natureza? Como seriam então as relações entre parceiros, amigos, familiares, países...? Como seria?

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Deus no Sec.XXI e o Futuro do Cristianismo


Livro escrito por vários autores de diversas áreas do saber, entre as quais, sociologia, genética, neurobiologia, filosofia, teologia, psiquiatria e bioética entre outras. Aborda temas como os Desafios à Humanidade e ao Cristianismo, o Predomínio da Imagem e a Pobreza Simbólica ou o Diálogo Ciência-Fé na Actualidade.


A titulo de exemplo sobre o tipo de questões levantadas neste livro, deixo um pequeno excerto:

"Na medida em que somos feitos pelo meio-ambiente em que vivemos, mas, simultaneamente, somos nós que fazemos esse meio, parece ser vital não perder de vista aquilo que se poderia designar por construção do mundo interior de cada pessoa. Porque cada pessoa é um mundo, mais ou menos viçoso ou desértico, mais ou menos organizado ou caótico, mais ou menos respirável ou intoxicado.
A interioridade, a espiritualidade, a densidade da vida interior carece de ser cuidada e desenvolvida, sob pena de se diluir na exterioridade e, consequentemente, se esvaziar.
Como pode querer-se a comunicação se a originalidade e especificidade de quem participa no acto comunicativo não existem ou são a mera clonagem dos ares do tempo? Como se pode verdadeiramente ver a exterioridade - para além da ofuscação e do espectáculo ambientes - sem a luminosidade interior? Como dar sentido ao magma informativo e ao caudal dos conhecimentos, sem a aposta na procura da sabedoria? Como se pode aguentar e edificar a nossa "tenda" no meio do ruído que nos cerca sem a capacidade de fazer silêncio e de escutar?"

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

A Dor


Vivemos num mundo de opostos: o dia e a noite, a chuva e o sol, o bem e o mal e assim por diante; mas todos procuramos o lado bom da vida. Fomos ensinados assim, a viver sempre na expectativa do melhor e a celebrar os momentos risonhos com pompa e circunstância. Mas então e a dor? Ninguém nos ensinou a celebrar a dor. Melhor dito, ninguém nos ensinou a processar a dor, a passar por ela, a aprender com ela e finalmente a ultrapassá-la. Assim, como não sabemos o que fazer com ela, regra geral, disfarçamo-la.
Serve quase tudo desde rir, ir ao cinema, ir às compras, ir a uma festa...enfim, tudo menos sentir a dor, ouvi-la e perceber o que ela nos pede.
Perdemos deste modo muitas oportunidades de saber o que a dor tem para nos dar.
Do meu ponto de vista a dor tem inúmeras funções, nomeadamente, devolver-nos à nossa condição essencial de seres humanos, fazendo-nos encarar e aceitar as nossas fragilidades. Não creio, contudo, que passar pela dor seja obrigatoriamente sinónimo de sofrimento e auto-comiseração, pelo contrário, acho que é uma forma de promovermos o auto-respeito e o senso de humildade. Acredito ainda, que se aprendêssemos finalmente a vivênciar a dor, não como uma coisa má mas como algo que faz parte da experiência de vida de todos nós, haveria certamente maior sinceridade, abertura e compaixão nas relações humanas.
Enquanto tal não acontece, vivemos numa sociedade onde a dor cresce amordaçada. Não é pois de admirar que de vez em quando, a dor de alguém, inteira e nunca tratada, rebente como um grito calado por muito tempo, sob a forma de tiroteio, suicídio ou ataque de coração.
Dar atenção à dor não é preservá-la, é antes dar-lhe sentido e usá-la em nosso favor para que nos conduza até às nossas feridas mais profundas, pois só indo lá, onde dói, poderemos promover a cura.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

A Importância do Vazio

“Se moldares uma chávena, terás de fazer uma concavidade: É o vazio no seu interior que a torna útil.”
Tao Te Ching

“Introduzida pelo próprio Einstein em 1917 e mais tarde posta de lado (chamou-lhe o seu “maior erro”), a energia negra ou a energia do nada ou do espaço vazio está agora a reemergir como a força motriz de todo o universo. Acredita-se hoje que toda esta energia negra cria um campo de antigravidade que afasta as galáxias umas das outras.”

Michio Kaku in “Mundos Paralelos”




Ao contrário do que nos diz a ancestral sabedoria oriental e as recentes descobertas da física sobre a organização do universo, nós, ocidentais, temos a tendência para viver atulhados de coisas. Quanto mais melhor. Roupa, sapatos, acessórios, telemóveis, mobília, biblôs, adereços, comida, electrodomésticos, jornais, revistas, livros, CD’s, pensamentos, compromissos, eventos, distracções, ambições e até pessoas... tudo e mais um par de botas!
Coleccionamos todas estas coisas nas nossas vidas como se o nosso sucesso, a nossa felicidade ou o nosso valor intrínseco se medisse pela quantidade de coisas que possuímos. Vivemos uma fome crónica de Ter e nunca estamos saciados.
Como poderemos nós usufruir e desfrutar das coisas mais significativas da vida se não lhes oferecemos espaços vazios que as realcem, que permitam o seu movimento, o seu fluir, na nossa casa, nos nossos armários, nas nossas mentes e nos nossos corações?
O paradoxo de tudo isto é que nos enchemos de coisas para preencher um vazio, uma espécie de buraco negro que trazemos no peito. Falta-nos algo mas não sabemos bem o quê. Por isso, empanturramo-nos com um pouco de tudo o que o mundo moderno nos pode dar. A má notícia é que o buraco negro continua lá apesar de todo o entulho com que nos inundamos. Com este nosso comportamento conseguimos apenas esgotar a nossa energia, ficar cada vez menos leves e cada vez mais escravos do Ter. Será que algum dia teremos a coragem de inverter o rumo das coisas para o lado do Ser?

terça-feira, 25 de setembro de 2007

O Preço da Paixão

Ela era apaixonada, vibrante, misteriosa e intensa. Tudo na sua vida tinha cor, ritmo, musicalidade e muita, muita intensidade. No seu abraço pequenino envolvia o mundo inteiro. Um mundo que amava com o coração a saltar do peito.
Era assim a nossa pequena Julia.
Quando conheci a Julia quis ser como ela, ter aquela felicidade estampada no rosto, aquele brilho nos olhos e o sorriso a condizer. Pouco depois a Julia morreu, ainda jovem, num terrivel acidente.
Por vezes dou por mim a pensar, qual seria o segredo de Julia, e se ainda estaria viva, se tivesse bebido da vida em goles mais pequenos.
Outras vezes penso, que a Julia na verdade não morreu.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Espreitando o Mundo


Pedacinho de Céu


Às vezes olho para o céu


Sinto o mar ao pé de mim


Sinto calma, sinto paz,


Sinto o mundo a meus pés.


Ando descalça pela relva,


Misturo-me com os bichos da selva...


Vejo flores desabrochar,


Ouço pássaros chilrear...


Sinto as ondas nos pés


e as orlas que a maré fez:


- vincos na areia branca


marcados a búzios e conchas.


E as rochas!...


Pirilampos a acender e apagar


e cigarras a cantar...


Serras e vales e montes


e rios e lagos e fontes...


No ar, dançam perfumes com as folhas de outono, a cair...


E a chuva e o vento a rugir...


Ás vezes, olho para o céu e sinto que o mundo também é meu.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Escrever




Escrever é soltar amarras,


É libertar fantasmas
É também fechar as garras,
Abrir a guarda.

Quem escreve confessa,
Deixa-se ir
Faz promessas,
Faz-se explodir no papel
Mostra-se
Cospe o amor e o fel

Escrever é ter o coração a saltar da pena
Deixá-lo saír é despir-se até à alma e mostrá-la

Escrever é um risco,
Um risco com preço de joia - a intimidade

E não podia ser menos um tostão
A intimidade é o ninho onde as palavras nascem
É dela que as asas crescem
E com elas os vôos da imaginação

São segredos,
São ansiedades,
Medos,
Talvez saudades...

Quando os dias se desdobram iguais,
Quando não há uis nem ais para gritar,
A tinta escorre apenas sem dizer nada.

Se não há nada para dizer!...

Não há amarras para soltar,
Nem fantasmas para libertar,
Nem amor nem fel para cuspir,
Nem ansiedades para sentir,
Nem medos, nem segredos,
Nem nada que valha a pena usar a pena para escrever

Se não há nada para dizer!...


segunda-feira, 21 de maio de 2007

Retrato

Sou chuva, lágrima, saudade
Sou moinho em colinas longínquas
Sou a recordação da mocidade

Sou o vento, o mar, as nuvens ambíguas
Cais, alvoroço, tempestade
Sou barco à deriva nas águas

Sou silêncio, oração serenidade
Espuma das ondas, figura de areia
Fada, gnomo, sereia

Sou poeta,
alma inquieta...

Pedra, nenúfar, madeira

Sou livro esquecido na prateleira,
Sou força, dor, silhueta

Sou mão, coração, feiticeira
Sou sorriso, sou careta

Sou perfume, vinho, maçã
Sou tocha acesa, sou atrito
Sou a noite e sou a manhã
Sou vôo de gaivota, sou grito

Sou o espantalho do arroz e do trigo
Sou beijo, sou tela, sou abrigo

Sou o agora e o depois
Sou um dia após o outro,
Sou tudo, nada, ilusão

Sou a luz e a escuridão.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Sonhadores



Esta foto foi tirada na maratona fotográfica de Lisboa em 2004 sob o título "Sonhadores". Retrata um grupo de jovens num amanhecer junto ao LUX após mais uma noitada de fim de semana. A idade de todos os sonhos e de todas as despreocupações...



Mas de sonhadores todos temos um pouco. Sempre vamos criando expectativas para o futuro enquanto os dias amanhecem junto ao rio das nossas vidas. À medida que o tempo passa vai-nos ficando uma certa nostalgia de outros tempos e de sonhos que não se realizaram mas ainda assim, que a capacidade de sonhar e de contemplar cada novo dia nos acompanhe pela vida fora.

quinta-feira, 22 de março de 2007

Caminhos


Muitos são os caminhos, poucos são os que nos levam onde queremos. Escolher um caminho é das coisas mais difíceis de fazer, e no entanto, fazemo-lo todos os dias. Mesmo sem notarmos isso estamos sempre a fazer escolhas, das mais simples às mais complexas. Onde nos levam os caminhos que escolhemos é coisa que não nos é dado a saber antecipadamente. Vamos andando...como se diz. Ainda assim, creio que para um mesmo destino na nossa vida temos, tal como numa estrada, várias hipóteses à nossa escolha. Às vezes são caminhos principais, outras são atalhos ou mesmo desvios. Às vezes são ruas estreitas e apertadas outras vezes são auto-estradas. Mas será que o caminho é importante? Não será antes a forma como nos relacionamos com o caminho o que mais importa? Há quem discorde e diga que o que importa é chegar ao destino que se pretende, eu acho que o mais importante é saber tirar partido do caminho que se escolhe e deixarmo-nos surpreender pela paisagem, pelas pessoas, pelo clima do caminho escolhido. E depois?... bem, depois logo se vê. Até porque a vida também tem rotundas e encruzilhadas que nos permitem optar, voltar atrás, ou seguir em frente. O que importa mesmo é fazer o caminho e ligarmo-nos a ele como o condutor se liga ao seu carro. Qualquer caminho, por mais acidentado e penoso que seja traz-nos sempre algo de bom se estivermos atentos.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Viagem ao Interior


Fui ao baú dos meus poemas e encontrei lá este, que decidi partilhar Chama-se "Viagem ao Interior":

Do nada, do meio da névoa indecifrável surge a encruzilha
a chamar o livre arbítrio, a vontade , a coragem o bom senso....

Juntam-se a eles o medo - do frio, do desconforto, do erro...

Assim se adensa a tempestade trazendo dentro e enxurrada

Assim te encontras perdido na chuva e no vento ....
a alma ensopada até aos ossos,
o corpo pesado arrastando-se pelos dias,
dormindo embrulhado no desalento.

Depois perdes-te de ti numa 5ª dimensão interior...

Ao longe ouves ainda o ruído do pensamento
Numa voz morna e já, indolor

Lentamente sentes secar-te a alma
Enquanto a tempestade se afasta

Flutuas agora num vazio espesso
- Anestesia

E queres ficar nesse lugar distante de ti
Um lugar sem noite, sem dia
Sem principio, sem fim...

Sabes que existes mas não te vês e não sentes

e ficas assim aninhado no ausência
na deliciosa ausência de tudo.

É nesse intervalo do tempo, com a mente limpa
Que decides

Na certeza ou na incerteza desfez-se a encruzilhada
Foste ao fundo e voltaste