segunda-feira, 11 de junho de 2007

Escrever




Escrever é soltar amarras,


É libertar fantasmas
É também fechar as garras,
Abrir a guarda.

Quem escreve confessa,
Deixa-se ir
Faz promessas,
Faz-se explodir no papel
Mostra-se
Cospe o amor e o fel

Escrever é ter o coração a saltar da pena
Deixá-lo saír é despir-se até à alma e mostrá-la

Escrever é um risco,
Um risco com preço de joia - a intimidade

E não podia ser menos um tostão
A intimidade é o ninho onde as palavras nascem
É dela que as asas crescem
E com elas os vôos da imaginação

São segredos,
São ansiedades,
Medos,
Talvez saudades...

Quando os dias se desdobram iguais,
Quando não há uis nem ais para gritar,
A tinta escorre apenas sem dizer nada.

Se não há nada para dizer!...

Não há amarras para soltar,
Nem fantasmas para libertar,
Nem amor nem fel para cuspir,
Nem ansiedades para sentir,
Nem medos, nem segredos,
Nem nada que valha a pena usar a pena para escrever

Se não há nada para dizer!...


segunda-feira, 21 de maio de 2007

Retrato

Sou chuva, lágrima, saudade
Sou moinho em colinas longínquas
Sou a recordação da mocidade

Sou o vento, o mar, as nuvens ambíguas
Cais, alvoroço, tempestade
Sou barco à deriva nas águas

Sou silêncio, oração serenidade
Espuma das ondas, figura de areia
Fada, gnomo, sereia

Sou poeta,
alma inquieta...

Pedra, nenúfar, madeira

Sou livro esquecido na prateleira,
Sou força, dor, silhueta

Sou mão, coração, feiticeira
Sou sorriso, sou careta

Sou perfume, vinho, maçã
Sou tocha acesa, sou atrito
Sou a noite e sou a manhã
Sou vôo de gaivota, sou grito

Sou o espantalho do arroz e do trigo
Sou beijo, sou tela, sou abrigo

Sou o agora e o depois
Sou um dia após o outro,
Sou tudo, nada, ilusão

Sou a luz e a escuridão.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Sonhadores



Esta foto foi tirada na maratona fotográfica de Lisboa em 2004 sob o título "Sonhadores". Retrata um grupo de jovens num amanhecer junto ao LUX após mais uma noitada de fim de semana. A idade de todos os sonhos e de todas as despreocupações...



Mas de sonhadores todos temos um pouco. Sempre vamos criando expectativas para o futuro enquanto os dias amanhecem junto ao rio das nossas vidas. À medida que o tempo passa vai-nos ficando uma certa nostalgia de outros tempos e de sonhos que não se realizaram mas ainda assim, que a capacidade de sonhar e de contemplar cada novo dia nos acompanhe pela vida fora.

quinta-feira, 22 de março de 2007

Caminhos


Muitos são os caminhos, poucos são os que nos levam onde queremos. Escolher um caminho é das coisas mais difíceis de fazer, e no entanto, fazemo-lo todos os dias. Mesmo sem notarmos isso estamos sempre a fazer escolhas, das mais simples às mais complexas. Onde nos levam os caminhos que escolhemos é coisa que não nos é dado a saber antecipadamente. Vamos andando...como se diz. Ainda assim, creio que para um mesmo destino na nossa vida temos, tal como numa estrada, várias hipóteses à nossa escolha. Às vezes são caminhos principais, outras são atalhos ou mesmo desvios. Às vezes são ruas estreitas e apertadas outras vezes são auto-estradas. Mas será que o caminho é importante? Não será antes a forma como nos relacionamos com o caminho o que mais importa? Há quem discorde e diga que o que importa é chegar ao destino que se pretende, eu acho que o mais importante é saber tirar partido do caminho que se escolhe e deixarmo-nos surpreender pela paisagem, pelas pessoas, pelo clima do caminho escolhido. E depois?... bem, depois logo se vê. Até porque a vida também tem rotundas e encruzilhadas que nos permitem optar, voltar atrás, ou seguir em frente. O que importa mesmo é fazer o caminho e ligarmo-nos a ele como o condutor se liga ao seu carro. Qualquer caminho, por mais acidentado e penoso que seja traz-nos sempre algo de bom se estivermos atentos.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Viagem ao Interior


Fui ao baú dos meus poemas e encontrei lá este, que decidi partilhar Chama-se "Viagem ao Interior":

Do nada, do meio da névoa indecifrável surge a encruzilha
a chamar o livre arbítrio, a vontade , a coragem o bom senso....

Juntam-se a eles o medo - do frio, do desconforto, do erro...

Assim se adensa a tempestade trazendo dentro e enxurrada

Assim te encontras perdido na chuva e no vento ....
a alma ensopada até aos ossos,
o corpo pesado arrastando-se pelos dias,
dormindo embrulhado no desalento.

Depois perdes-te de ti numa 5ª dimensão interior...

Ao longe ouves ainda o ruído do pensamento
Numa voz morna e já, indolor

Lentamente sentes secar-te a alma
Enquanto a tempestade se afasta

Flutuas agora num vazio espesso
- Anestesia

E queres ficar nesse lugar distante de ti
Um lugar sem noite, sem dia
Sem principio, sem fim...

Sabes que existes mas não te vês e não sentes

e ficas assim aninhado no ausência
na deliciosa ausência de tudo.

É nesse intervalo do tempo, com a mente limpa
Que decides

Na certeza ou na incerteza desfez-se a encruzilhada
Foste ao fundo e voltaste

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

O Ninhou

Vista panorâmica de Minde, a minha terra...



Fui apanhada...


A fotógrafa "da treta" foi "apanhada" pelo fotógrafo de serviço, o priminho Nuno Mendes, esse sim, um profissional na matéria! Jokas priminho, thanks pelo big help.

A nascente do rio Alviela

A foto fala por si.



Viagens na minha terra...




Hoje o passeio foi produtivo. Um tipico "vá para fora cá dentro", sendo que, entenda-se, refiro-me ao Ninhou e arredores.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Como gosto das manhãs de sol no Outono!...

Apetece-me sempre torradas de pão caseiro e uma chávena de café com leite fumegante, enquanto me sento ao sol da manhã embrulhada numa manta fofa e quente. Hoje está uma linda manhã de Outono!

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Ainda há esperança. O mundo ainda pula e avança!...





Cheguei tarde mas há projectos pelos quais vale a pena esperar, indo devagar!


Nasceu hoje e é um blog... Pelo menos esperemos que seja. Vamos vendo como cresce e aparece!...