segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Higiene de vida em tempo de crise


A célebre expressão "Menos é mais" nunca fez tanto sentido como nos tempos actuais. Vale a pena reflectir sobre ela e pô-la em prática no nosso dia-a-dia. Se o fizermos a nossa vida fica mais leve, mais fluída, mais rica, mais interessante e menos stressante.

CASA
Esvazie a sua casa de ninharias que não usa e que não lhe servem para nada. Dê, venda, deite no lixo, liberte-se!
Se tiver demasiados móveis desfaça-se de alguns para criar novos espaços de circulação. Uma casa o mais minimalista possível é mais fácil de manter, de arrumar e de limpar e dá-lhe uma sensação de leveza. Além disso, esteticamente é mais agradável à vista do que um caos de objectos por todo o lado.

CORPO
Delicie-se com o banho diário e mime o seu corpo com bons produtos para o banho e bons cremes hidratantes. As marcas Nivea e Dove são das que melhor respeitam a sua pele.
Mexa-se. Se não pode ou não gosta de ir ao ginásio, faça caminhadas ao fim do dia e/ou ao fim-de-semana.
Andar é um exercício fantástico para todo o corpo.
Simplifique o guarda roupa. Doe tudo o que já não usa ou não lhe serve, para instituições de solidariedade e mantenha um bom conjunto de peças conjugáveis com várias outras, para simplificar a escolha dos conjuntos todas as manhãs.
Simplifique a sua alimentação e coma poucas quantidades. Uma alimentação rica em frutas, vegetais e cereais, conjugada ocasionalmente (uma a duas vezes por semana) com carnes e peixes magros e alguns lacticínios é quanto basta. Evite as carnes vermelhas e nada de pratos muito elaborados, exessivamente condimentados ou processados.
Estudos indicam que menos comida é sinónimo de mais saúde e maior longevidade.
Uma vez por ano faça um período de 3 a 7 dias de jejum à base de líquidos e frutas frescas para limpar e desintoxicar o seu organismo.

MENTE
Já diziam os Gregos: "Mente sã em corpo são". Limpe a sua mente de ideias confusas, distorcidas ou negativas. Faça meditação, de preferência 15 a 20 minutos por dia.
Alimente e cultive a sua mente com bons livros. Leia sobre a vida de grandes figuras da história que admira, leia boa poesia, leia a revista GINGKO, leia os seus filósofos de eleição. Invista no seu desenvolvimento pessoal. Pergunte-se de onde veio, para onde vai, o que faz aqui, qual o seu propósito, qual o melhor caminho para si e parta em busca das respostas. Essa é uma busca sem fim que o leva numa viagem fascinante, em direcção ao seu centro, à sua essência e a um profundo auto-conhecimento.

ESPIRITO
A componente espiritual das nossa vidas não deve ser descurada pois é de fundamental importância para uma vida equilibrada e saudável. Não tem que pertencer a uma religião ou a um grupo de culto, basta-lhe dar voz e expressão à sua alma e alimentá-la, fazendo-a crescer dentro de si.
Leia bons livros sobre espiritualidade. Pode começar por ler a trilogia "Conversas com Deus" da editora Sinais de Fogo mas não fique por aí.
Encontre a sua ligação pessoal com o Divino e desenvolva-a. Você é um ser espiritual a viver uma experiência humana e não o contrário.

EMOÇÕES 
Livre-se das emoções tóxicas como o medo, a raiva ou o ódio. Cultive o amor por si próprio (quem não se ama a si mesmo não tem como amar os outros). Cultive e expanda as emoções positivas de amor, gratidão e compaixão. 

RELACIONAMENTOS
Se alguns relacionamentos já não reflectem quem você é, descarte-os. Não tem que ficar prisioneiro de relacionamentos sem futuro, estagnados ou limitativos. Não se esqueça do ditado "Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és". Quanto aos outros, os que ainda lhe são queridos e importantes, invista neles.  Expresse o seu amor por eles sempre que possível e nutra essa relação.
Se vive sozinho invista no relacionamento consigo próprio e seja a sua primeira prioridade. Desfrute da companhia que faz a si mesmo e invista no auto-conhecimento. Enriqueça a sua vida de dentro para fora, nunca o contrário. 

FINANÇAS
Em tempo de crise importa saber poupar. Faça uma conta poupança e todos os meses coloque de parte algum dinheiro do seu salário. Mesmo que seja pouco vale sempre a pena. Não contraia empréstimos desnecessários ou acima das suas possibilidades. Use apenas um cartão de crédito. Evite comer fora de casa e reduza as saídas. Arranje programas de fim-de-semana em casa ou em contacto com a natureza evitando assim os grandes espaços comerciais. Nunca vá às compras quando tem fome. Faça uma lista de compras e siga-a à risca. Não se deixe tentar por saldos e promoções. Compre apenas o que lhe faz falta naquele momento.

FELICIDADE
A verdadeira felicidade vem de dentro. Ela existe dentro de cada um de nós como se fosse uma sementinha enterrada na terra. O segredo é alimentar essa semente e fazê-la crescer e dar frutos. Tudo o que vem de fora dá-nos apenas uma sensação efémera de felicidade. A que vem de dentro é a única felicidade duradoura.
Por isso não acredite que o ultimo modelo daquele telemóvel ou o carro topo de gama, ou o plasma, ou a casa na praia lhe vão trazer felicidade. Isso é uma ilusão criada pela nossa sociedade de consumo. Invista em si não em "coisas".

Não se esqueça "Menos é mais"!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Revista Gingko


Para quem não conhece, a revista Gingko é uma revista recente em Portugal, que vale a pena conhecer e ler do principio ao fim. Uma revista que se afirma pelo seu carácter optimista, conteúdos actuais e criteriosamente seleccionados e um grafismo irrepreensivel. Todos os meses surge nas bancas um novo número desta revista, repleto de histórias e reportagens inspiradoras. Eu, nunca perco!   

Para mais informações aqui fica o link para o site oficial e claro, a descrição deste "Projecto" para aguçar o apetite aos leitores mais desprevenidos:

"Aqui ficam os nossos compromissos


Ser "a" revista do equilíbrio e da sustentabilidade - pessoal, profissional e ambiental.


Fazer uma guerra mensal contra a multidão publicitária do terror, do pessimismo, do derrotismo. Contar histórias positivas e inspiradoras.


Ter uma enorme disponibilidade para o novo e ser uma revista obcecadamente curiosa. Ter uma curiosidade infatigável. Por tudo.


Sair da redacção. Boas histórias não vêm até nós - e não moram no fim do corredor do escritório.


Construir uma equipa - de jornalistas, fotógrafos, designers, ilustradores e comerciais - que faça uma busca incansável por histórias inéditas, nunca antes contadas.


Ter um design cuidado e preocupação extrema com a fotografia. Se não formos esteticamente estimulantes e funcionalmente eficientes, desapareceremos na multidão.


Buscar incansavelmente o rigor jornalístico. Objectivo: não falhar no teste da confiabilidade. As histórias têm de ser verdadeiras, os especialistas têm de ser mesmo especialistas... Temos consciência de que, hoje, a confiabilidade é um bilhete de entrada para o respeito, antes do início sequer da competição.


Grande cuidado com a escrita. Acreditamos que a escrita serve para se deixar um traço. Escreve-se por pensar que esse traço pode despertar no outro qualquer emoção, qualquer perplexidade, qualquer ensinamento. Queremos que os leitores se sintam abraçados.


Aceitar responsabilidades. A maior de todas: tornar o mundo um lugar melhor para todos, criando auto-estima, equilíbrio, prosperidade e capacidade de fazer escolhas. Qualidade é um parâmetro pelo qual se excede as expectativas. Qualidade diz respeito a padrões. É simples: queremos definir altos padrões e depois excedê-los.


Transformar o controlo de qualidade num objecto de desejo. Para nós, nada nunca está perfeito."



                    Se ficaram curiosos corram até o quiosque mais próximo e comprem já o último número que acaba de sair.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Humanidades nas Universidades Hoje


O último número da revista “Courrier Internacional” e mais concretamente, o seu artigo sobre o que se estuda hoje em dia nas universidades, motivou este post.

De facto vivemos numa era pautada pela procura de empregos associados ao crescimento económico e tecnológico. Assim sendo, os cursos das áreas de humanidades ou das ciências sociais e humanas perdem cada vez mais terreno. Em algumas universidades chegam mesmo a encerrar departamentos nestas áreas do conhecimento, tudo motivado pela baixa procura e pela crise económica que “obriga” a cortes nos custos, também com a educação.

Nos nossos dias, em detrimento de uma sólida cultura geral, privilegia-se a rápida aquisição de conhecimentos técnicos e especializados. Troca-se a biblioteca pelo laboratório e os testes qualitativos dão lugar aos quantitativos.

É uma pena que assim seja já que ao longo dos tempos, o estudo das disciplinas de humanidades, tem sido um importante pilar na formação de bons pensadores, estimulando o espírito crítico, a criatividade e fornecendo importantes bases de conhecimento generalista, tão importante para cimentar e inter-relacionar os diversos saberes.

Será este um ponto de viragem no ensino superior? Estamos perante um novo modelo?
Os que se pronunciam sobre estas questões também não sabem ao certo mas todos são unânimes a lamentar o que parece ser o início de um declínio anunciado.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Biodiversidade



Nunca fui muito "à bola" com a Teoria da Evolução, mas seja. Se a grande maioria dos cientistas está de acordo, quem sou eu para a pôr em causa?!...  Agora, o que eu gostaria que alguém me explicasse é que raio de evolução é esta que produz tantas espécies diferentes, quer de animais, quer de plantas, quer de minerais. Custa-me muito a crer na história do antepassado comum. Lamento mas essa é difícil de engolir. Já viram bem a quantidade de espécies diferentes que povoam este planeta? Seremos mesmo TODOS descendentes do mesmo embrião? E como se explica que o Ser Humano seja tão diferente de tudo o resto? Mais, como se explica que neste planeta existam não só os animais, as plantas e os humanos, mas também todas as condições quer alimentares, quer ambientais e climatéricas para a sua sobrevivência? Num só planeta temos milhões de espécies  e também temos a água, o solo, o sol e a chuva que permitem que todos os seus habitantes subsistam. Se isto não é magia pura então não faço ideia do que seja. É uma combinação perfeitíssima de múltiplos factores distintos. Por exemplo, se o planeta estivesse mais perto do sol é certo que esturricávamos mas, se por outro lado estivesse mais afastado, aí congelávamos. O que é que isto nos diz? De todos os planetas que já investigámos nenhum outro reúne as mesmas condições. Que sucedeu então? A Terra, no meio do turbilhão do Big Bang foi eleita o planeta vencedor? E sendo o Big Bang uma explosão, tudo isto de que falei é produto do caos, certo? Acham isso provável? 

Um planeta pode ter vida e ser apenas habitado por uma bactéria mas daí à multiplicidade de seres vivos que habitam este planeta vai uma grande distância. 

Agora imaginem que de facto a "Vida" tinha, em si mesma, alguma forma de inteligência. Assim sendo, já seria normal produzir o animal e o respectivo alimento, certo? Pois bem, nem mesmo isso explica porque é que a fruta não é só maçãs mas também bananas, morangos, mangas, figos, uvas, melão, nêsperas, ananás...

Mas continuando. Se esta "Vida Inteligente" quisesse tornar a coisa mais bonita, criaria também as flores, que podiam ser malmequereres, mas não, nós também temos as begónias, as tulipas, as orquídeas, os antúrios, as esterlicias, as rosas, as papoilas, os lirios, o jasmim e assim por diante... 

Visto de outra forma. O planeta podia ter vida e ser feio e inóspito mas não, por todo o lado na natureza a beleza é uma constante, quer nas cores, quer nas formas, quer nos aromas, quer no seu conjunto.

Será tudo isto fruto da evolução? É tudo isto um acaso? Seremos nós um acidente de percurso?


sexta-feira, 14 de maio de 2010

Avatar


Há já algum tempo que não vou ao cinema mas vi em DVD o “Avatar” de James Cameron. Um filme muito bem conseguido com imagens magnificas e que nos mostra um paralelismo bastante cru com a actual realidade no nosso planeta: a devastação sem piedade do mundo natural em prol de interesses meramente materiais. Tudo começa com o desejo de explorar os recursos naturais do planeta e acaba na guerra atroz contra os que habitam um lugar belíssimo e pacífico, e que vivem em plena comunhão com a mãe natureza. O filme inclui ainda um elemento místico importante a que é dado o nome de “Eywa”, uma energia universal que permeia e conecta todas as coisa, unindo e alimentando os Na’vi, habitantes de Pandora e todos os seres do reino animal, vegetal e mineral que partilham o mesmo equilíbrio ecológico.

Um filme que nos faz reflectir sobre a ganância desmedida e brutal, que origina a destruição da biodiversidade, dos ecossistemas e da profunda ligação à Terra ainda manifestada por alguns povos, que vivem sintonizados com os ritmos naturais.

Será assim tão difícil a Humanidade perceber que somos todos peças da mesma engrenagem e que tudo o que destruímos acaba virando-se contra nós com impacto redobrado? Que todos precisamos de nos conectarmos com a energia de “Eywa” e ouvir a voz da floresta no nosso coração?

segunda-feira, 22 de março de 2010

O Livro dos Prazeres Inúteis

Um livro absolutamente delicioso com pequenos textos que nos remetem para pequenos prazeres que a vida coloca à nossa disposição, quase todos eles grátis e, segundo os autores, totalmente inúteis.

Deixo aqui alguns exemplos do que este livro nos oferece:

"Sexo Matinal
   Ao contrário do desempenho sexual frenético que se segue a uma saída nocturna, o sexo matinal é deliciosamente despretensioso, relaxante e lento. Com a poeira do sono ainda nos seus olhos, as costas arqueadas e uma risadinha descontraída de satisfação, você brinca com o seu amante. Puxando-o para junto de si, com os tornozelos e nádegas de ambos a moverem-se sinuosamente debaixo dos lençóis. E deixando-lhe um sorriso largo na cara, ainda antes de os primeiros raios de luz do dia lhe terem tocado os olhos.
   A seguir, juntam-se ao sol da manhã de sábado, com um prazer tranquilo e pleno de satisfação. Aparece uma bandeja de muffins torrados, com um bule de chá a acompanhar. Se há alguma maneira mais perfeita de começar o dia, ainda não a descobri."


"O Roupão
     Não há uniforme mais apropriado para a preguiça do que o roupão. Só o mero facto de se ter um é um sinal de esperança. Um símbolo de que se pretende ser negligente. Os roupões acompanham o estado de não fazer nada, mas o que é que está verdadeiramente a fazer quando não está a fazer nada? A pensar, é isso que está a fazer. A sociedade tem medo da população com tempo para pensar.
     Sabe-se que são as pessoas desse género que costumam mudar as coisas. É por isso que o roupão é o verdadeiro uniforme da revolução. No futuro, numa qualquer altura bem distante da nossa, os homens e as mulheres olharão com assombro para o dia em que os donos do poder global foram finalmente derrubados - por um exército de pessoas vestidas de roupão."


"Ficar Deitado de Papo para o Ar no Campo
     Não fazer nada é bem capaz de poder salvar o planeta. Quando você se deita num campo, volta a ligar-se à terra sem a prejudicar. Se toda a gente se tivesse deitado de papo para o ar nos campos durante os últimos duzentos anos, em vez de construir fábricas, carros, armas e aviões, teria havido muito menos mortes e muito menos estragos ambientais. A maneira de salvarmos o planeta é abstermo-nos de o atacar e, por isso, deitarmo-nos nele pacificamente é um acto de cura radical."

quinta-feira, 18 de março de 2010

Tempestades Solares


De acordo com os investigadores da NASA, uma tempestade solar é algo que pode acontecer a qualquer momento. Actualmente o nosso Sol está muito sossegado. Quase como a calmaria que antecede a tempestade. Espera-se que a próxima atinja a maior intensidade registada nos últimos 50 anos. Esta previsão é da equipa liderada por Mausumi Dikpati do Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica (NCAR)
Há quem preveja que o máximo da actividade solar ocorrerá em 2012 mas há também quem diga que será mais cedo, ainda em 2010 ou 2011.

Seja como for, uma tempestade electromagnética de grandes proporções seria catastrófica, sobretudo para os países mais desenvolvidos e portanto mais dependentes da tecnologia: GPS, satélites, sistemas de navegação, circuitos eléctricos, centrais eléctricas, telemóveis, elevadores, redes de distribuição da água, tudo isto e muito mais seria terrivelmente afectado.

Uma das primeiras coisas a faltar seria a água nas torneiras (sem electricidade, as bombas que fazem chegar a água aos pisos mais altos deixariam de funcionar). Também os carros e os seu circuitos eléctricos ficariam K.O. afectando as redes de distribuição dos supermercados e as deslocações em geral. As comunicações seriam interrompidas, os sistemas de climatização ficariam danificados pondo em risco todos os que habitam em locais muito quentes ou muito frios, os hospitais deixariam de conseguir assegurar cuidados médicos essenciais, os sistemas informáticos dariam o berro gerando o caos nos serviços e nos mercados internacionais...enfim, seria certamente uma grande trapalhada para quem vive quase totalmente na dependência de sistemas eléctricos e tecnológicos. 

O pior é que não poderemos fazer nada para impedir que aconteça ou para minimizar os danos causados. Resta-nos aguardar!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Ano Novo Vida Nova

No final de 2009 decidi fazer uma grande arrumação em casa. Toda a tralha foi criteriosamente inspeccionada, separada e distribuída. Algumas coisas foram dadas, outras foram deixadas junto ao contentor do lixo e foram aproveitadas por alguns transeuntes, outras ainda, viram como destino o lixo. A casa ficou mais leve. Depois foram as limpezas. Em seguida, como faltavam espaços de arrumação adquiri alguns móveis para esse efeito. Para completar o quadro também comprei plantas, uma fonte electrica e algumas peças de decoração. O resultado foi surpreendente. A casa ganhou uma nova vida e agora tudo está nos seus lugares. É uma sensação muito boa esta, de nos libertarmos de anos e anos de um acumular constante de ninharias, que no final não servem para mais do que encher prateleiras e gavetas.
Ano Novo Vida Nova!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A Cimeira do Clima


Estou triste! 
Afinal vi as esperanças que tinha (de que esta cimeira produziria um acordo vinculativo e com impacto global) totalmente goradas.
Foram duas semanas e 193 países em negociações e no fim não há acordo que nos valha. Li no "Público" que "no último dia da cimeira, os discursos dos líderes mundiais mostraram duas coisas: que todos dizem saber o que tem de ser feito para chegar a um acordo global e que cabe aos outros fazer o esforço que falta." Isto descreve muito sucintamente o que se passou em Copenhaga. Países pobres contra países ricos, os primeiros querem continuar o seu desenvolvimento económico e os segundos não o querem pôr em risco, através da implementação de medidas mais ou menos radicais (se bem que conscienciosas e necessárias) de combate à emissão de gases de efeito estufa.
É lamentável que o mundo ainda não consiga, politicamente, agir com unanimidade face aos perigos crescentes das alterações climáticas.
Dos poucos pontos favoráveis saídos desta cimeira foi o assumir de que a temperatura não deverá subir mais que os 2ºC em relação aos níveis pré-industriais. Ainda assim há quem afirme que, mesmo estes 2ºC colocam algumas ilhas em risco de desaparecimento, devido à esperada subida do nível do mar. 
Havia ainda a esperança de que os EUA fossem mais longe na sua proposta de cortes das emissões poluentes mas tal não veio a verificar-se. O Presidente Obama ficou-se pelos 17% em relação aos valores de 2005, valor que havia já sido anunciado antes da cimeira. Acredito que por sua vontade até fosse capaz de se comprometer com mais mas este foi o valor ditado pela Câmara dos Representantes e como é obvio, Obama não podia fazer melhor. O Japão portou-se bem e assumiu que ajudaria os países em  desenvolvimento com 15 mil milhões de dólares (10,4 mil milhões de euros) entre 2010 e 2012. Este tema das ajudas financeiras aos países menos desenvolvidos, para os auxiliar a se adaptarem às alterações climáticas, foi aliás o que obteve os melhores resultados. Foram já destinados 100 mil milhões de dólares por ano, a partir de 2020 para um fundo de apoio aos países pobres.
De qualquer forma, face às expectativas que havia em torno desta cimeira, podemos dizer que foi um tiro ao lado que está ainda longe do tiro certeiro de que a humanidade e o planeta precisam. 
Resta-nos esperar pela próxima conferência em Dezembro de 2010 na Cidade do México e ter fé de que daí saia finalmente um acordo visto que o Protocolo de Quioto termina já em 2012. 

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Nanotecnologia em Portugal



Em muitas das estatísticas das quais consta Portugal, aparecemos regra geral, nos últimos lugares das tabelas para as coisa boas e nos primeiros para as coisas menos boas. Uma tendência que é preciso as actuais gerações começarem a inverter. Afinal há que ter orgulho no nosso país e trabalhar para que isso seja possível.

No entanto, importa dizer, Portugal nem sempre fica na retaguarda. Há coisas muito positivas a acontecer, ou em vias disso, pelas quais podemos e devemos ficar satisfeitos e esperançados, de que mais e mais coisas venham engrossar esta lista e colocar-nos numa posição confortável, face ao resto da Europa e do mundo.

A título de exemplo menciono aqui o INL - Laboratório Internacional Ibérico de Nanotecnologia, que foi recentemente inaugurado em Braga.

30 milhões de euros de investimento inicial
200 cientistas provenientes de várias partes do mundo
100 estudantes de doutoramento
400 colaboradores
26 mil metros quadrados de área de construção
1200 metros quadrados destinados à micro e nanofabricação
30 milhões de euros de orçamento anual

Fruto de um acordo entre Portugal e Espanha, este laboratório permite a adesão de outros países do mundo, enquanto estados-membro.

O seu objectivo é desenvolver projectos em quatro áreas prioritárias da nanotecnologia. São elas: a nanomedicina, a monitorização ambiental e segurança e controlo de qualidade alimentar, a nanoelectrónica e a nanomanipulação molecular. Estas áreas de investigação eleitas como prioritárias, deverão produzir resultados com potencial de aplicação na medicina, no armazenamento de dados e novas formas de produzir e armazenar energia.

José Rivas Rey, catedrático em Física e investigador da Universidade de Santiago de Compostela, questionado sobre uma eventual revolução tecnológica, responde: " Agora que se discutem novos modelos económicos, julgo que as novas tecnologias vão dar uma ajuda, ao fazer surgir novos produtos, mais qualidade, melhores equipamentos, resíduos mais limpos, mais respeito pelo meio ambiente".

Para quem não está familiarizado com o que a nanotecnologia permite fazer, ficam alguns exemplos: bandas magnéticas dos cartões de crédito, os materiais das melhores raquetes de ténis, materiais especiais para automóveis e aviões ou ainda, na área da cosmética, os protectores solares compostos de nanopartículas, entre muitos outros.

"A nanotecnologia pode ser considerada como engenharia a uma escala atómica e molecular e estima-se que o investimento em nanotecnologia, já com imensos resultados práticos, venha a ter um grande impacto económico e social num futuro próximo".

Um projecto com futuro, desenhado para o futuro, inovador e que se pretende empreendedor, encontrando parcerias com universidades e empresas por esse mundo fora, ajudando a desenvolver novos e melhores produtos.

Um bom exemplo de como Portugal por vezes pode estar na linha da frente.



Fonte: Diário Económico

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Novo sistema de ensino precisa-se!


Numa entrevista à revista Pais e Filhos em 2005, Rubem Alves, conceituado pedagogo brasileiro manifestava-se dizendo que "a escola destrói as crianças". Segundo diz, "a minha impressão é a seguinte: houve um momento em que se tentou padronizar a escola. A ideia da linha de montagem. Pegar nos alunos e fazer com que todos aprendessem as mesmas coisas, ao mesmo ritmo, com o mesmo objectivo. Então criaram-se aqueles programas abstractos, padronizados. Abastractos porquê? Porque não respondem aos desafios do momento. Nós aprendemos o desafio. Aprendemos aquilo que naquele momento nos é importante. E isso não acontece com os programas. Eles são organizações abstractas de conteúdos, que não estão relacionados com os desafios das crianças."

Para Rubem Alves "é preciso que os professores se sintam fascinados por aquilo que estão a fazer, que eles brinquem com as crianças (...) A função do professor não é ensinar o que ele sabe, é ensinar as crianças a procurar aquilo que elas não sabem (...) A grande coisa da educação é ensinar as crianças e os adolescentes a pensar. A maioria dos problemas da sociedade se resolveria se os indivíduos tivessem aprendido a pensar."

Claro que Rubem Alves tem toda a razão e as suas palavras não carecem de nenhuma reflexão profunda para apurarmos a sua validade. Por isso, e como este blog se afirma como um blog optimista, lembrei-me de falar aqui de um dos sistemas de ensino mais humanizados e menos "linha de montagem" como chama Rubem Alves ao ensino público tradicional. Falo das escolas Waldorf.

As escolas Waldorf já existem um pouco por todo o mundo. Em Portugal apenas tenho conhecimento de uma no Algarve e de um Infantário em Alfragide.

São escolas privadas e um pouco dispendiosas mas o seu sistema de ensino é inovador. É um sistema criado originalmente pelo filósofo Rudolf Steiner em 1919. A aprendizagem é interdisciplinar, integrando elementos práticos, artísticos e conceptuais. A abordagem Waldorf privilegia o papel da imaginação e da criatividade na aprendizagem, tudo isto aliado ao pensamento analítico.

Pretende-se com esta abordagem, facultar às crianças e jovens uma base a partir da qual possam crescer e torna-se indivíduos livres, bem integrados e possuidores de uma moral forte.

A estrutura do modelo pedagógico resume-se mais ou menos assim:

- Infantário - a aprendizagem é essencialmente experiencial, imitativa e baseada nos sentidos, preferencialmente através de actividades práticas.

- Escola primária - aprendizagem focada na expressão artística e na imaginação desenvolvendo a vida emocional da criança através de um conjunto de artes visuais e de representação.

- Ensino Secundário  - a aprendizagem é focada no desenvolvimento da compreensão intelectual e ideais éticos tais como a responsabilidade social.

Para já exemplos como este ou o da escola Montessori são de louvar e encorajar.

Por cá, graças ao meu amigo "Gnomo", tive também conhecimento da "Escola da Ponte" em Vila das Aves, perto de Famalicão. Vejam aqui o seu projecto educativo.

Afinal há por aí alguns oásis onde se vivem excepções a um sistema de ensino massificado e descaracterizado. Vale a pena espreitá-los e manter a esperança de que num futuro mais ou menos próximo estas excepções venham a ser a regra.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Aprender a Morrer


 
Na nossa sociedade, o tema da morte é ainda um tabu. Somos educados e preparados para a vida mas nunca para a morte. O que é estranho porque a morte é uma inevitabilidade e faz parte da vida. Todos sem excepção iremos morrer um dia. Não há como evitá-lo. Daí que talvez fosse bom haver maior frontalidade no tratamento deste tema. Evitar falar da morte como se ela não existisse não nos torna mais felizes, apenas mais alheados de uma realidade incontornável.

Vivemos e somos educados como se a vida, como a conhecemos, fosse para sempre. Tudo isto é um contracenso porque tudo na natureza à nossa volta se move em ciclos de morte e renascimento e nós fazemos parte do todo que nos envolve.

Só esta concepção errónea da realidade é que justifica que por exemplo não saibamos lidar com as pequenas mortes de todos os dias, sejam elas materiais ou emocionais. Temos, ao contrário de alguns povos antigos e sábios, uma imensa dificuldade de viver em desapego. Vivemos na ilusão dos sentidos e agarrados a coisas que só possuímos por empréstimo enquanto por cá andamos.

Claro que, para quem acredita que a morte é o fim de tudo, a simples ideia de morrer deve ser assustadora. Falamos não só da morte do corpo físico mas também da morte do ego e todos sabemos que o ego não quer morrer porque ele existe para nos permitir accionar os mecanismos de sobrevivência.

Já para aqueles que, como eu e tantos outros, acreditam na reencarnação, a morte não é uma ameaça mas uma oportunidade, não é um fim mas um recomeço. Morrer é mergulhar em outras dimensões da realidade.

Seja como for, com ou sem reencarnação, a morte existe e é para todos. Lembram-se do anúncio do chocolate “Mars” em que um índio se preparava para a morte e dizia “Hoje é um bom dia para morrer”? Para este índio a morte não era nem tabu, nem mistério apenas um momento pelo qual todos iremos um dia passar. Com a diferença de que ele estava preparado.

sábado, 15 de agosto de 2009

A Sociedade do Futuro


Como será a nossa sociedade num futuro mais ou menos próximo?
Antes de mais perspectivam-se mudanças ao nível das lideranças. Isto porque a geração que actualmente ocupa os cargos chave, a dos Baby-Boomers (nascidos entre 1946 e 1964) está agora a iniciar a idade da reforma e começa a ser substituída pela Geração X (nascidos entre 1965 e 1976).

Esta nova geração tem um estilo muito próprio. Apesar de adultos gostam de se vestir como adolescentes, são mais descontraídos e menos sisudos que a geração que os precedeu, vocacionados para as novas tecnologias e ao contrário dos Baby-Boomers “trabalham para viver” não “vivem para trabalhar”. Quer isto dizer que valorizam bastante mais o factor tempo nas suas vidas.

Esta geração, constituída pelos trintões e quarentões do momento, tem fortes preocupações ambientais e energéticas, sente uma maior responsabilização pela sua saúde e bem estar, é exigente na qualidade de serviços e produtos, tem gostos minimalistas, procura fazer pequenos cursos ou workshops, é fã de eventos culturais, gosta de viajar, tem algum tipo de interesse ligado à espiritualidade, e não discrimina orientações sexuais.

Quanto ao seu estilo de liderança propriamente dito, há quem o classifique da seguinte forma:

Ecléctico: preferem construir pontes para agregar pessoas competentes, em vez de dividi-las previamente em classes ou ideologias.

Conciliador: procuram conhecer as diversas opiniões e encontrar um ponto de equilíbrio para atingir o consenso, mesmo em soluções que pareciam inicialmente contraditórias.

Pragmático: preferem tomar decisões a partir da análise de dados, examinando os temas de todos os ângulos e perspectivas.

Transparente: falam abertamente sobre os problemas e exigem sinceridade de todos os que trabalham consigo.

Deste modo está feito um primeiro esboço do que nos espera nas décadas vindouras em termos de liderança mas também em termos de hábitos e atitudes na esfera social e privada:

- Mais tempo para a casa, os filhos, a família e os hobbies
- Mais qualidade em detrimento da rapidez
- Mais tecnologia
- Mais preocupações ambientais
- Mais aprendizagem ao longo da vida
- Mais espaços de lazer e relaxamento
- Um estilo de liderança mais assertivo

Em alguns casos ter mais tempo vai significar ter menos dinheiro pelo que se espera também um decréscimo no consumismo exacerbado dos últimos anos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O Lado bom da crise



É verdade que esta está a ser uma crise penosa para muitos de nós e que, como qualquer crise, traz desconforto, perda de confiança e por vezes desespero, mas também é verdade que uma crise sempre encerra oportunidades. É delas que pretendo falar neste post.

Foi graças à crise que muitos corruptos caíram e que muita corrupção veio ao de cima, foi graças à crise que o mundo se começou a virar para a sustentabilidade a vários níveis nomeadamente a nível ambiental e social.

A crise surge como um momento de reflexão que nos obriga a re-equacionar posições e a re-avaliar decisões de fundo. A escalada da crise fez-se sentir nos mais diversos sectores, do preço dos combustíveis à escassez de matérias-primas e à falência das empresas e das famílias. Mas esta é também uma crise de valores.

Em última instância a crise fez-nos questionar um modelo de sociedade que já deu o que tinha a dar. Todos os sectores mencionados foram afectados porque tudo está conectado nesta era de globalização, logo, não basta acorrer a um sector específico para solucionar a crise, há que repensar o modelo que temos vindo a seguir. É aqui que reside a oportunidade de mudança de paradigma.

Já são muitas as empresas que apostam na chamada “economia verde”, ou seja, em formas de produção mais limpas e que respeitem o meio ambiente e espera-se que este tipo de economia venha a gerar inúmeros postos de trabalho.

As mudanças climáticas estão na ordem do dia mas finalmente existe a percepção de que as mesma terão custos associados. Assim, elencar medidas de protecção do meio ambiente é agora visto como um bom investimento.

No final do ano em Copenhaga vão ser discutidos os modos de actuação da chamada “economia verde”. Espera-se um novo protocolo que substituirá o de Quioto. Vamos ver para que lado pendem as forças, se para o lucro a qualquer preço ou para um futuro sustentável para todos.

A crise traz consigo os ventos e as sementes da mudança mas ainda é cedo para ver os frutos. Importa manter as coisas em perspectiva sem perder de vista os pequenos passos que estão já a ser dados.


Definição de Crise na Wikipédia "Oriunda do latim, o termo crise tem o mesmo sentido da palavra vento. Indica, um estágio de alternância, no qual uma vez transcorrido diferencia-se do que costumava ser. Não existe possibilidade de retorno aos antigos padrões."

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Fragmentos

foto residente no blog andrewssouza.blogspot.com

Fragmentos do que somos e do que gostaríamos de ser. Somos fragmentos dispersos que se ligam por ténues linhas agregadoras. O que não está ao nosso alcance é sempre o que mais buscamos no intimo das nossas ambições. Vamos além. Muitas vezes vamos além do que nos é humanamente possível e isso corrói-nos as forças e a vontade. A esperança sempre nos visita por vezes de modo tímido mas é ela que nos sustenta por dentro, para não nos deixar moribundos, num mundo cada vez mais incerto e caótico. Eu acredito que ainda é possível a dança do riso, apesar de ela por vezes se me afigurar vã, mas há que ir em frente e acalentar sonhos e esperanças de peito aberto.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Mentiras na Net

Muitos de nós já vimos os vídeos que têm circulado na net, mostrando jovens que fazem, alegadamente pipocas activando telemóveis apontados para grãos de milho.

Eis um exemplo:




Os vídeos circularam pelas nossas caixas de mail com mensagens do tipo "se os telemóveis podem fazer pipocas o que farão aos nossos neurónios?".
Muitos reencaminharam apressadamente a mensagem para amigos e conhecidos, pois claro, convém alertar...

Mas será mesmo que todo o alerta que circula na net é de levar em conta?

É que neste caso tudo não passou de um truque publicitário que antecedeu um spot da Cardo Systems para promover os seus auriculares bluetooth, ora vejam:




Além do mais, segundo a revista Science & Vie deste mês, num artigo sobre este tema, seria necessária uma descarga de 700 watts para fazer pipocas e um telemóvel tem em média uma descarga de apenas 2 watts.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Grameen Bank

O Fim da Pobreza (económica e de mentalidade?...)


Digam o que disserem os mais negativistas, ele há coisas boas a acontecer por aí. Seria bom, se pudéssemos virar o foco para elas.

Uma das coisas mais fantásticas que tem vindo a mudar, para melhor, muitas vidas, chama-se Grameen Bank e é "o primeiro banco do mundo especializado em microcrédito". O Grameen Bank ganhou o Prémio Nobel da Paz do ano 2006 juntamente com seu fundador Muhammad Yunus.

A ideia da criação do Grameen Bank nasceu após o seu fundador, que estudou economia nos EUA, ter percebido, ao voltar ao Bangladesh, o seu país natal, em 1975, que os mais pobres simplesmente não podiam melhorar as suas condições de vida devido ao facto de viverem sob o jugo dos agiotas ou prestamistas, que até então surgiam como única possibilidade de sobrevivência para muitas famílias. Muhammad Yunus percebeu que aquelas pessoas precisavam de uma oportunidade para realizar dinheiro sem serem escravizadas economicamente. A forma de o fazer seria através de um microcrédito que não pedisse garantias, nem cobrasse exorbitantes taxas, condições que, do seu ponto de vista, têm constituído os principais entraves à erradicação da pobreza extrema nos países do hemisfério sul.

A este propósito diz Muhammad Yunus numa entrevista dada à revista "Courrier Internacional" de 2008/06: "Critico o dogma segundo o qual não podem ser atribuídos empréstimos sem garantia, sobretudo aos mais pobres. (...) Os princípios actuais do sistema bancário impedem que metade da população mundial participe na vida económica. Não apenas nos países dos sul mas também nos EUA e na Europa. Os bancos tradicionais exigem às pessoas que sejam solventes, antes de lhes emprestarem dinheiro. Mas para que servem, se não ajudam as pessoas a sair de uma situação difícil, a criar valor e trabalho." E acrescenta ainda que: "Segundo um inquérito recente, 64% daqueles a quem concedemos empréstimos por cinco anos, saíram da pobreza crónica."

Este microcrédito favorece as chamadas actividades "informais", ou seja, a manufactura e venda de artigos diversos, as pequenas reparações, em suma os pequenos negócios familiares. Isto porque, segundo Muhammad Yunus "não promover nada para além do regime assalariado parece-me terrivelmente limitado. Ver apenas o homem como um ser que procura um ordenado parece-me uma concepção muito limitada do ser humano. É uma forma de escravidão.(...) Levamos vidas rígidas, repetindo diariamente os mesmos ritmos de trabalho. Corremos para o trabalho, corremos de volta para casa. Esta vida robótica não me parece um progresso. (...) O homem é considerado apenas como um agente económico, um empregado, uma assalariado, uma máquina. É uma visão unidimensional do humano. Ser assalariado deveria ser uma opção entre várias."

A isto chamo eu um verdadeiro pensador e que, mais do que pensar, age no tecido económico-social implementando as suas ideias.


A prova do sucesso do Grameen Bank, é que já distribuiu 6 mil milhões de dólares a 150 milhões de famílias, sem exigir garantias e com uma taxa de reembolso de 95%.

Que tal aproveitar ideias como estas para fazer face à crise que se vive actualmente no ocidente?

Que tal deixarmos de ver o ser humano como uma mera peça de uma engrenagem que o subjuga continuadamente, e devolvê-lo a si próprio?

sábado, 21 de junho de 2008

Pelo direito à diferença...





"Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sózinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?"

Fernando Pessoa

domingo, 15 de junho de 2008

Pensar a Medicina

Excerto do livro que estou a ler actualmente - “Loucos são os Outros” do Psiquiatra Jaime Milheiro, publicado no ano 2000 pela editora “Fim de Século”.


Pensar a Medicina

No fim do século mais científico da História, temos igualmente a impressão de estar no fim duma época quanto à teoria e prática da Medicina e quanto à concepção da Saúde/Doença. Por várias razões, mas sobretudo pelas bastante previsíveis e em vários ângulos anunciadas mudanças de entendimento sobre o modo de funcionar do ser humano, provindas de aprofundamentos recentes. Estaremos no fim duma época quanto às considerações fundamentais sobre o conjunto funcionante que cada indivíduo representa e também quanto ao que daí resultará sobre a prática clínica. Reflectir sobre isso interessa aos médicos, aos doentes, a toda a gente.

I

Como funciona o ser humano? Porque funciona o ser humano, o que o faz funcionar? Por estar vivo, por obedecer à fisiologia, aos princípios da vida...será uma resposta um tanto simplória, concordaremos, além de pouco estimulante para quem tiver a obrigação profissional de sobre isso reflectir. E o médico vê-se obrigado a fazê-lo, porque a sua prática diária vive impregnada de perguntas deste tipo, decorrentes: porque adoeceu aquela pessoa, porque se alterou o funcionamento que até então proporcionava sentimentos de Saúde, como se desmembrou tudo isso?

Evidentemente, é sempre possível evitar a reflexão, no médico ou no doente (pensar dói muitas vezes, ou é inútil), remete-se para um “isso não é comigo”, reduzindo a preocupação apenas à forma de tratar a úlcera ou a bronquite. É tentador afirmar: “sou um técnico, ou ... sou um doente... só me preocupo com isso.” Mas tentar corrigir o defeito do móvel sem pensar na interligação das gavetas , nem no movimento geral da sua construção, vai ser cada vez menos satisfatório, porque se vai sedimentando um sentimento natural de pesquisa em toda a gente. O refúgio banal de atribuir causalidades externas a tudo o que se passa, vai notoriamente perdendo terreno, na cultura. As doenças obedecerão, nesse tipo de pensamento, na realidade efectiva ou na realidade simbólica, ao esquema bacteriano descoberto por Pasteur: vêm de fora. Extrapolando das bactérias propriamente ditas, para muitas outras razões análogas habitualmente utilizadas, as doenças, neste modelo “bacteriano”, serão produto dum corpo estranho, dum invasor, gerador da “infecção” naquele órgão. Competirá à medicina, como objectivo final, a esforçada descoberta do antibiótico suficientemente eficaz para o liquidar. Temos todos (médicos, doentes e candidatos a esses dois estados) este esquema de tal forma montado dentro de nós, apreendêmo-lo e conservámo-lo com tal intensidade, que sem darmos por isso constantemente o supomos e utilizamos. Mesmo em circunstância onde é totalmente absurdo fazê-lo. Verdadeiro automatismo ou reflexo condicionado, com enorme sucesso em múltiplas situações, na medicina, na cirurgia, desse sucesso colhemos apressada justificação para continuar.

Mas hoje não chega obviamente erradicar a bactéria, ou carpinteirar o órgão.

II

Essas leituras, extremamente parcelares, vêm sendo substituídas progressivamente por outras que procuram estudar, compreender e tratar o doente sem o excluir da doença, na génese, no trajecto e na finalização. A doença deixa de ser um corpo estranho, uma “bactéria” hospedada num “órgão”, susceptível de ser posta na rua, para ser considerada um processo geral psicossomático. Sempre!

As grelhas de pensamento que proporcionaram ciências actuantes na brilhante “medicina do órgão” que temos vindo a conhecer, as tecnologias aplicadas à terapêutica que muito justificadamente têm espantado a humanidade e vão continuar a fazê-lo, vêm-se hoje obrigadas a essa enorme revisão. É que os avanços definidos pelas linhas que marcaram o nosso tempo, se afunilaram numa faixa cada vez mais estreita e se afastaram muitíssimo do sofrimento próprio do portador individualizado. Excessivamente cega, impessoal, essa faixa encaminhou-se na prática para o maquinal ossificado, que, embora tecnicamente perfeito, ultrapassou o risco vermelho e quase caiu em zona de completa artificialidade. Tornou-se ao mesmo tempo muito complacente de si mesma, nada do doente, escurecendo-se cada vez mais no computador, se não houver correcção de rota. Conhecimentos e desenvolvimentos não põem em causa a sua validade, mas questionam a sua possibilidade de integração no conjunto da Pessoa. Áreas múltiplas, nas ciências físicas, nas ciências humanas, nas ciências psicológicas, no infinitamente pequeno, na vertente orgânica mensurável em grupo e susceptível de comparação, na vertente mental incomparável entre indivíduos, têm aberto portas impensáveis até há pouco. Verifica-se hoje que, muito mais do que as partes ou a soma delas, a grande questão é o funcionamento global interior, com regras e princípios essenciais, mal conhecidos ainda, mas em pleno movimento de descoberta.

Nessa encruzilhada nos encontramos hoje, na encruzilhada da globalização. Curiosamente, retorna-se desse modo à medicina anterior a este século, à medicina anterior à “medicina de órgão”, conduzindo no entanto na bagagem a ciência entretanto adquirida.

III

Cada novo processo terapêutico, mesmo eficaz, terá sempre efeito temporário porque não invalida o funcionamento descompensado, físico ou mental, que dentro de si o doente contém e a doença sinaliza. A terapêutica adia, compensa ou substitui, mas nada resolve se os mecanismos interiores, fisiológicos, psicológicos, não forem alterados. Comprova-se agora o que toda a gente sabia, mas a cultura deste século ilusoriamente procurou desfazer: consertar por um lado equivale a romper por outro, se nada mudar no contexto da pessoa. A ciência médica inúmeras vezes esqueceu isto, junto de si própria e junto dos doentes, nas famílias, na opinião pública, mais vincadamente ainda na tão propagandeada “medicina de ponta”. Culturalmente intoxicados, por conceitos terapêuticos grandiosos e por secreto desejo de imortalidade, todos embarcamos alegremente nessa cumplicidade e participamos altivamente nos milhões gastos em zonas inúteis, ou no benefício duma industria farmacêutica cada vez mais voraz e lucrativa. Há uma enorme desproporção entre o aproveitamento afectivo e a justa racionalidade nos objectivos terapêuticos, que inconscientemente se alimenta, ou sobrealimenta, no dia-a-dia. Ter consciência disso, dizê-lo abertamente, só pode ser útil e pedagógico, embora por norma se faça justamente o contrário para não ferir o estabelecido.

IV

A angustia médica é quase sempre idêntica à do doente, nessa procura excessiva. Por isso o médico colabora prazenteiramente e desagua no “sou técnico...nada mais do que isso”. Cumpridas da sua parte as baterias sobre estômagos, corações ou cérebros, segundo a arte, nada mais se lhe poderá pedir ou assacar. É tentador e muito mais fácil. Pragmatismos deste tipo servem e tranquilizam, em ambas as direcções.

Estamos na verdade de tal forma condicionados pela tecnologia, pela noção bacteriana da doença, pela busca do “antibiótico” físico ou mental, pelo isolamento do órgão, que em muitos locais, até os processos sistémicos já bem conhecidos são vistos deformadamente como novos órgãos! Como se fossem outros órgãos. O sistema imunitário, por exemplo, global e globalizador, movido emocionalmente, “psico-imunitário” como tudo indica, é muito facilmente considerado por muitos outro órgão, que se divide e isola. Atribuem-se-lhe nesse caso as funções específicas clássicas, contrariando tudo o que dele já se sabe como “gestor” das razões íntimas da pessoa, com influências bem conhecidas na génese de muitas doenças, cancro incluído.

V

O narcisismo pessoal ou profissional verte-se muitas vezes no discurso megalómano de ilusões, ao certificar a pequenez e a limitação que nos caracteriza.

Toda a ciência médica está a evoluir implacavelmente, no sentido que referimos. Mas, como sempre aconteceu na história das ciências e das ideias, os avanços acarretam perdas, sobretudo perdas de ilusões, quando obrigam a novas leituras. Mudam necessidades, são por isso bastante difíceis de instalar.”



Há tempos escrevi aqui alguns artigos sobre “Saúde Integral” onde abordei, do modo limitado que é possível a um leigo fazê-lo, alguns destes temas. É pois com especial prazer e contentamento, que publico agora este texto de um reconhecidíssimo Psiquiatra português.

Não posso deixar de sentir um misto de alegria e alívio, ao constatar a existência de personalidades como a de Jaime Milheiro, atentas, questionadoras, interventivas e transformadoras das leituras e mentalidades, que por vício ou preguiça, se instalaram e cristalizaram perigosamente, ao longo dos tempos na nossa sociedade.

Mudanças são necessárias e urgentes, todos o reconhecemos, mas elas não se fazem se não pusermos em prática a capacidade questionadora que Deus nos deu. A todos!

Bem-haja Dr. Jaime Milheiro, entre outras coisas, pela lição de coragem e de ousadia sempre necessárias nos processos de mudança, mas também pela pertinência de um texto ao qual ninguém pode ficar indiferente.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Marrocos - Maio 2008

Uma viagem muito para além da viagem em si!







Do meu ponto de vista, de quem já viajou alguma coisa, a viagem começa e acaba em cada um de nós. Os países, a música, os pratos típicos desconhecidos, são como facetas pessoais, ocultas ou ainda não exploradas. De certo modo, somos todos viajantes à procura de nós próprios, ainda que, muitas vezes, sob o pretexto ou através da procura exterior.

Marrocos foi uma viagem que não vou esquecer!

Inch' Alla!